Meus passos IX
Não coloquei nenhum título muito primoroso hoje pois a postagem será realmente pequena.
Faz quase um mês que não escrevo e notei que as postagens ficaram mais "espaçadas" entre uma e outra.
Não deve ser à toa, já que me aproximo de quando entrei no doutorado, na área de neurofisiologia.
Nunca imaginei que passaria nesta prova, pois dois meses antes, fizera uma cirurgia no olho - mais uma - em mais uma tentativa para baixar a pressão, e desta vez implantaram uma válvula no meu olho esquerdo que ajudaria a drenar o líquido e, consequentemente, baixar a pressão ocular.
Pelo menos, foi "só" no olho esquerdo e, antes da cirurgia, eu até pensava "estou virando um ciborgue"; mas essas coisas são mais legais em filmes do que na vida real. A tal válvula não aparece, fica na parte de cima do olho, e às vezes incomoda.
Na verdade o que mais me incomodou nem foi isso, e sim que tive que cancelar o doutorado.
E, sobre isso, eu vou escrever mais adiante, pois digamos não ser meu assunto favorito.
Existem coisas que são mais fáceis de digerir com o tempo (acho que quase tudo o que não gostamos).
Para quem quiser saber mais sobre a válvula e como funciona, clique aqui
Contarei como convivo com o glaucoma, tentando trazer maiores informações sobre mim e a baixa visão, assim como meu dia a dia e dificuldades que supero ou que aprendo a me adaptar
domingo, 18 de dezembro de 2016
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
O Mestrado
Meus passos VIII – O Mestrado
Demorei quase
um mês para sentar aqui e escrever a continuação das coisas. Talvez seja mais
difícil escrever sobre o que está acontecendo do que o que já aconteceu. Ou que
a proximidade com o que acontece no presente me “trave” um pouco.
Continuemos,
a vida segue:
Após a
formação em Biologia, minha professora da cadeira de Fisiologia Animal
Comparada, Drª Guendalina Turcato, perguntou se eu não tinha interesse em fazer
mestrado. Como sempre gostei de estudar e desta área, fiz a prova e passei, no
meio do ano de 2013.
Meu mestrado teve
foco na área da Fisiologia, logicamente, onde analisamos o efeito de um herbicida
bastante utilizado no Estado e se seu uso implicava em alterações hepáticas e
endócrinos de animais que ficam bastante expostos à ele, as rãs touro (Lithobates catesbeianus). O resumo e o trabalho completo estão neste link: clique aqui.
Como todos
devem imaginar, é necessário ler muito durante o Mestrado, principalmente artigos.
E ler artigos impressos não é das melhores tarefas para quem tem uma visão limitada:
a letra é bem pequena, alguns são bastante extensos e, para completar, 95% são
em inglês e com uso de termos técnicos.
Porém, para
(quase) tudo há um jeito: eu lia todos os artigos no tablet, em formato PDF,
onde eu podia ampliá-los e tornar a leitura confortável. Na verdade, é desta
maneira que eu leio tudo até hoje, sejam livros, revistas, jornais, pois não
consigo mais ler de maneira impressa – a letra está muito pequena para mim e
acabo fornçando demais.
Esta parte
estava resolvida, porém, a parte prática parecia mais complexa, já que
precisaríamos retirar sangue e o fígado dos animais, para então medir os
índices necessários.
Falei “parecia”
complicado pois realmente, se eu tivesse que fazer sozinha, seria impossível –
medir microlitros em uma pipeta exige
uma visão que não possuo, além do manuseio em tubos de ensaio,
espectrofotômetros e tudo o que exige visão aguçada. Mas, graças à compreensão da
minha agora orientadora profª Guendalina, e também dos meus colegas que se
dispuseram a trabalhar junto na pesquisa: Artur Navarro, Camila Miguel, Betânia
Freitas, Patrícia Rodrigues, Bruna Dutra, Sarah Santos e Luiza Petroli. Eles
foram, literalmente, meus olhos no Mestrado, sem eles eu não teria feito quase
nada. Serei sempre agradecida.
Eu sei que na
área da pesquisa existe muita competição, e vi muita coisa que, sinceramente,
eu achava que no Direito era pior. Soube de casos em que as pesquisas de um
terceiro foram prejudicadas propositalmente, para que os resultados fossem
alterados, vi pessoas querendo fazer tudo sozinhas, somente para que seus nomes
ficassem em maior destaque nos artigos. Senti falta de compreensão de algumas,
que chegaram ao ponto de dizer que minha doença era desculpa para não fazer
isso ou aquilo na pesquisa. Estes fatores tornaram minha equipe mais especial
ainda.
Essas coisas –
e dezenas de outras situações - me mostraram
que não podemos julgar as pessoas pelo curso que elas fazem, pela profissão que
exercem. As pessoas são o que são por elas mesmas. Acredito que existam pessoas
más. Que tenham nascido com esta índole, ou que durante seu crescimento e
aprendizado sejam assim. Sei que muitos dizem que não existem pessoas más. Na
minha opinião, existem sim, e são as mais difíceis de mudar, pois a maldade
parece fascinar, devido a sua ilusão de poder.
Bem, voltando
ao mestrado.
Eu finalizei
tudo no prazo de dois anos, em meados de 2015. E tive que finalizar, afinal, a
pressão do olho novamente voltara a subir e eu teria que fazer outra cirurgia
(isso está ficando repetitivo). Desta vez seria implantado algo como uma “sonda”
no meu olho, que ajuda na drenagem de maneira mais efetiva.
Explicarei na
próxima postagem, que prometo será em breve.
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Cirurgias, o início
Meus passos VII - Cirurgias, o início
“O que deixamos para trás e o que nos espera adiante pouco importam se
comparados com o que existe dentro de nós” – Ralph Waldo Emerson
E então que a
pressão do meu olho estava subindo novamente, após muito tempo dela estar
controlada.
Tentamos
trocar de colírios e não responderam.
A solução
seria a cirurgia, semelhante àquela que eu havia feito quando criança, que
contei neste
post , porém a diferença é que desta vez teriam que ser duas cirurgias, uma
vez em cada olho, devido a ele ser mais velho e para diminuir as chances de
algum problema neste órgão tão delicado. Outra diferença é que nesta a
anestesia não seria geral, e sim por sedação, para que eu estivesse consciente
na hora.
Um corte
seria feito na esclerótica do meu olho (a parte branca, na porção superior)
para que houvesse uma melhor drenagem do líquido e então, a baixa da pressão.
Confesso que,
no momento da intervenção cirúrgica, me senti um pouco assim:
Explico: eu estava sedada, e na maior parte do procedimento,
dormi. Porém, na parte final, mesmo sem sentir nenhuma dor, eu conseguia ver os
médicos (representados pelos extraterrestres, carinhosamente) vindo em minha
direção com o bisturi e tesoura, e o que eles falavam, como “corta este ponto
próximo a esta região” (no caso, o ponto estava no meu olho). Foi muito rápido,
mas esses momentos parecem durar uma eternidade, direi que foi agonizante em alguns
momentos.
A primeira
cirurgia foi no olho esquerdo, no dia 15 de julho de 2012 – data que não
esqueço pois é aniversário da Dr Paula (minha oftalmologista), e a segunda, do
olho direito, foi em 4 de fevereiro de 2013 – aniversário da minha mãe.
Infelizmente eram estas as datas disponíveis, e certamente não as teria
escolhido se pudesse.
Acordei na
sala de recuperação e fomos embora, e a parte mais chata começaria, o
pós-operatório.
O problema maior
da recuperação é que não se pode fazer praticamente nada. Esforço, zero – sem academia
por um bom tempo, cerca de 3 meses. E a visão totalmente distorcida – eu até
preferia permanecer com um tapa olho e só enxergar com o olho que não havia
sido submetido ao procedimento a enxergar com os dois.
Além disso,
as dores no olho, limpezas (que me deixavam bastante ansiosa, não gosto de
mexer muito nos olhos) e colírios a cada 2 horas na fase inicial. As dores diminuíam
com Tylenol 750mg, um a cada 4 horas. Porém, quando era muito forte, somente o
Tylex aliviava, mas provocava muito sono – o que, em uma recuperação nem era
tão ruim. Bem, toda esta chatice permaneceu por quase 2 meses.
Acho que
assisti a todos os filmes novos, antigos e repetidos que existem. Evidentemente
que dublados – e até hoje assisto assim, pois legendados teria que escolher
olhar para o filme ou as legendas, devido a limitação do campo visual (que
expliquei nesta
postagem). Engordei uns dois quilos – que perdi depois, felizmente – pois comia
bastante, já que as atividades eram bastante restritas.
E a
faculdade?
Os
professores foram extremamente compreensivos e todos – sem exceção – enviavam o
material para o meu e-mail ou disponibilizavam no moodle (local de acesso aos alunos).
Depois de 2
meses, eu ainda não podia me expor muito na rua mas já conseguia ler, e este
material foi extremamente importante para que eu pudesse acompanhar o semestre.
A recuperação
das duas cirurgias foi semelhante, e consegui finalmente terminar a faculdade
de Biologia – minha segunda faculdade. Porém, neste período, eu já havia
perdido um pouco mais do campo visual, como já dito em postagens anteriores, e
tive que me adaptar a esta nova realidade.
Felizmente,
hoje em dia existem muitos meios que facilitam a qualidade de vida mesmo de
quem estava acostumada com uma certa visão – que já não era muita – e deve
adaptar-se a uma pior.
Falarei mais
destas possibilidades em breve, e como elas me ajudaram a cursar o Mestrado,
além das pessoas que me ajudaram muito nesta caminhada.
terça-feira, 18 de outubro de 2016
Dúvidas sobre o glaucoma
Durante minhas postagens, algumas pessoas já vieram me
perguntar algumas questões sobre o Glaucoma, que estão sendo respondidas com o
decorrer do tempo e principalmente no tópico “Meus
Passos” (que, basicamente, contam minha história com a doença). Porém, como
a história é longa e nem sempre temos tempo de ler tudo, resolvi fazer esta
postagem com as dúvidas mais frequentes que têm aparecido. Fiquem à vontade
para perguntar o que desejarem no campo de comentários ou via facebook.
O glaucoma tem cura?
Até o dia de hoje, 18 de outubro de
2016, não. O glaucoma tem controle,
para que não haja piora, mas infelizmente, a parte da visão que foi perdida não pode ser
recuperada.
Por quê?
Ainda não existe nenhum
procedimento cirúrgico que atue na regeneração do nervo óptico, que é
justamente onde há a maior lesão no glaucoma. Além disso, células da retina
também são perdidas, e, mesmo que algumas pudessem ser recuperadas, o nervo não
levaria os sinais destas células para o cérebro, já que este não possui regeneração.
Cirurgias como transplante de córnea não
adiantam?
Não. Como explicado acima, o
glaucoma afeta o nervo óptico principalmente, e o problema causado não tem
relação com a córnea.
Minha tia/vó/vizinha/etc tinha glaucoma e
curou, como o teu não?
O glaucoma não tem cura, porém, em
alguns casos, ele é detectado antes que haja a perda da visão (ou houve perda
muito pequena), e como a identificação ocorreu cedo, o uso de colírios consegue
manter a pressão ocular baixa e não há mais perda. Se houve perda e a pessoa
recuperou, ou não era glaucoma, ou me apresente o caso!!
As pessoas que conheço que tem glaucoma são
“velhas”, como você tem desde criança?
Realmente, a
maioria dos casos identificados ainda é em pessoas acima de 55-60 anos. Por
óbvio, o olho já está mais velho e a drenagem e controle da pressão já não são
tão eficazes. No meu caso, e casos de pessoas que tem a doença ainda jovem,
pode ter havido por herança genética ou fatores externos, como uso de altas
doses de corticoides (como mostra este
artigo) , uso demasiado de força quando
há predisposição ou fatores ainda não tão conhecidos.
Fazer exercício físico faz mal para o glaucoma?
Depende do
tipo de exercício e da predisposição e do caso.
No meu caso, e casos em que não é recomendado usar a “força de valsalva”(força
que fizemos com a parte superior do abdome, próximo ao tórax), exercícios mais
pesados e com uso constante do abdome não são recomendados. Infelizmente, tive
que parar o Jiu Jitsu, que pratiquei por 5 anos, por isso. Porém, faço Muay
Thai e treino funcional sem problemas.
Inclusive, exercícios aeróbicos (como corrida, pular corda e que demandam muita
energia) são bastante recomendados, pois
até ajudam a baixar a pressão intraocular.
domingo, 16 de outubro de 2016
Artigo - Vinho e os benefícios para o glaucoma
Tomar vinho tinto pode ajudar em doenças relacionadas à visão
Além dos benefícios que já se sabe que o vinho (principalmente o tinto) traz na prevenção e manutenção de algumas doenças cardiovasculares, diabetes, etc., algumas doenças ligadas à visão, como o Glaucoma e a catarata podem ter uma ajudinha do resveratrol - substância antioxidante presente principalmente no vinho tinto.
Não vamos esquecer que devemos beber com moderação, uma taça ao dia é o recomendado.
O artigo abaixo, deste ano, nos traz de maneira científica, como esta substância pode estar ajudando no controle e prevenção de doenças.
Clique na imagem para ler o artigo na íntegra.
Além dos benefícios que já se sabe que o vinho (principalmente o tinto) traz na prevenção e manutenção de algumas doenças cardiovasculares, diabetes, etc., algumas doenças ligadas à visão, como o Glaucoma e a catarata podem ter uma ajudinha do resveratrol - substância antioxidante presente principalmente no vinho tinto.
Não vamos esquecer que devemos beber com moderação, uma taça ao dia é o recomendado.
O artigo abaixo, deste ano, nos traz de maneira científica, como esta substância pode estar ajudando no controle e prevenção de doenças.
Clique na imagem para ler o artigo na íntegra.
Resveratrol e Doenças Oftalmológicas (EN) Khaled K. Abu-Amero et al. Ano: 2016
Espero que gostem, e apreciem com moderação!
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Artigos
A partir de hoje, trarei artigos publicados em revistas científicas internacionais ou nacionais que tratem sobre o tema glaucoma.
Todos eles ficarão disponíveis na seção "Artigos" (Menu acima).
Atenção: A língua do artigo ficará entre parênteses, (EN) para Inglês e (PT) para Português, sendo a grande maioria em Inglês.
Clique nas imagens para ler o artigo completo em PDF.
Todos eles ficarão disponíveis na seção "Artigos" (Menu acima).
Atenção: A língua do artigo ficará entre parênteses, (EN) para Inglês e (PT) para Português, sendo a grande maioria em Inglês.
Clique nas imagens para ler o artigo completo em PDF.
Efeitos dos glicocorticóides na rede trabecular: Direções para um melhor entendimento do Glaucoma (EN) Robert J. Wordinger e Abbot F. Clark Ano: 1999
Trata-se de um artigo antigo, porém esclarece algumas questões sobre o uso de corticóides e seu papel no desenvolvimento do glaucoma.
Glossário
Rede trabecular: de modo simples, a rede trabecular é a área de filtração do olho, assim, quando esta rede não está filtrando de maneira adequada os líquidos produzidos pelo olho, a pressão intraocular pode aumentar. Acredita-se que alguns glicocorticóides possam interferir nesta drenagem, o que maximizaria as chances de glaucoma.
Glicocorticóides: são hormônio esteróides, sintetizados pela glândula adrenal (acima dos rins) que afetam o metabolismo dos carboidratos, e reduzem a resposta inflamatória, etre outras funções. Estes hormônios são produzidos naturalmente pelo nosso organismo e sua quantidade varia entre manhã (alta produção) e noite (baixa produção), além da possibilidade de haver alterações conforme níveis de estresse, lesões, infecções, calor ou frio.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Mais mudanças
Meus passos VI – Mais mudanças
“Você sabe que quanto mais próximo estiver do seu destino, mais se deixará levar para longe dele” – Paul Simon
No início
deste século, terminei a escola e decidi fazer Faculdade de Biologia. Meu objetivo
era estudar Direito Ambiental, proteger principalmente os animais. Eu lia
muitas revistas de ciência no colégio, como National Geographic e a
Superinteressante, que naquela época eu considerava científica. Lembro de
outras revistas, como “Os caminhos da Terra”. Hoje eu ainda leio, porém as
revistas mudaram – segue a National Geographic, mas somei à esta, Scientific
American, Astronomy, Nature, Science, etc., e também o modo: agora eu as leio
no tablet. Com o sucessivo desgaste da minha visão e a perda gradual desta, não
consigo mais lê-las na forma impressa, enquanto que no tablet posso dar zoom.
Bem, retornando ao assunto do início, estas revistas me motivaram muito para o
lado da ciência e, como eu queria proteger o que tínhamos na natureza, também
resolvi fazer Direito.
Era de se
esperar que eu não conseguisse fazer dois cursos ao mesmo tempo – sei que
algumas pessoas o fazem, mas não me encaixo neste nível superior de humanidade –
e eu acabei decidindo permanecer no Direito, devido às oportunidades que este
poderia oferecer – maiores chances de concursos, mais vagas em empregos e, sem
ser hipócrita, melhores chances de salário mais robustos.
Além disso –
lamentavelmente - dois professores da Biologia não mantinham minha motivação
muito alta, digamos assim.
Como
expliquei em posts anteriores, meus olhos enxergam de maneira complementar, ou
seja, um “ajuda” o outro, focando de maneira única e mantendo a musculatura ao
redor do olho contraída, de maneira que juntos, minha visão torna-se aceitável
em diversas situações. No caso do uso de microscópio, esta situação não encaixava-se
no aceitável. Como muitos sabem, os microscópios possuem duas oculares, e,
quando você gira os botões de foco nas laterais, teoricamente tudo se ajeita.
Não no meu
caso.
O foco nunca é
alcançado, e, quando está próximo de ser bom, a visão é tão forçada que sinto
dores muito fortes, o que me levou mais uma vez ao meu antigo oftalmologista. Ele
disse que eu não conseguiria ter foco em um microscópio, e a explicação dada
foi a que me referi antes. Ele forneceu um atestado, o qual eu entreguei na
Secretaria do curso, e fiquei com cópias para mostrar aos professores, que
deveriam encontrar métodos alternativos para suprir as aulas práticas que
usavam este aparelho.
A grande
maioria aceitou e achamos soluções viáveis – ou conectávamos o microscópio a
uma televisão, o que para mim era a melhor solução, ou eu recebia material com
os desenhos do que deveria estar vendo no microscópio. Dois professores
resolveram acumular a parte prática na prova teórica, o que não teria problema algum,
caso eu, mesmo presente nas aulas práticas (o que, no meu caso não era necessário
obviamente), não precisasse ouvir algumas “brincadeirinhas”, que no fundo você
sente que não são de todo somente brincadeirinhas, como por exemplo: “A Mariana
vem com este atestado só para poder matar aula prática desta cadeira”, entre
outras. Pena que este tipo de fala não foi somente uma ou duas vezes. A mais
motivadora foi “Mariana tu não tens condições de te formares em Biologia se não
puderes utilizar um microscópio”.
Vejamos, eu
era bem mais nova, estava cansada de fazer duas faculdades e em uma delas,
apesar de ter o lado motivador, existiam estas pessoas que, naquele tempo,
acabaram influenciando para que eu optasse pelo Direito. E, complementando, eu
não sabia muito sobre meus direitos, além de desconhecer muito das leis que
poderiam ter fornecido um maior aporte.
A história do
Direito vocês já conhecem, e sabem que fui para São Paulo quando estava já
formada e trabalhando na área. E também que eu tomaria decisões após aqueles
ocorridos. Sim, eu resolvi retornar à Biologia.
Antes de
continuar, preciso fazer uma pausa aqui.
Após retornar de São Paulo, voltei ao Dr. Araújo, meu primeiro oftalmologista,
que achou melhor uma profissional especializada diretamente em glaucoma
cuidasse de mim, pois estava em um patamar delicado e seria preferível que ela
abordasse meu caso. A partir deste momento, a excelente Drª Paula Gross, médica
oftalmologista especialista e mestre em glaucoma, vêm tratando minha visão da
melhor maneira que é possível.
Ela
me explicou um pouco mais sobre meu problema, sem deixar de me incentivar
sempre e que eu não desistisse do que eu gostaria de fazer, e eu sou muito grata
por isto, mesmo tendo meus momentos nem sempre tão esperançosos.
Enfim.
Depois de ter
cursado aproximadamente um ano e meio, faltavam 2 anos e meio a 3 anos para
concluir a Faculdade de Ciências Biológicas, agora conhecedora dos meus
direitos e, mais importante do que isso, de alguns limites que eu teria.
A maioria das
minhas provas eram ampliadas e preferencialmente em negrito, devido a um
contraste maior, facilitando a leitura. A fonte ideal era Arial de tamanho 14
ou 16, o que ainda permanece quando preciso ler de forma impressa.
As aulas
práticas foram elaboradas da maneira mais adequada e o caminho parecia estar
sendo bem trilhado.
Passado cerca
de um ano do meu retorno à Biologia, com visitas trimestrais ao médico, a pressão
ocular de ambos os olhos voltou a subir.
É difícil dizer
que fatores diretamente afetam a pressão do olho; um conhecido é o esforço
contínuo repetido, na região supra abdominal, próximo ao osso esterno,
localizado entre as costelas (região destacada da figura abaixo). O esforço
contínuo nesta região é chamado tecnicamente de Manobra de Valsalva. Executamos esta manobra, por exemplo, quando
levantamos muito peso com os braços, e esforços que utilizam a região torácica.
![]() |
Fonte: modificado de Sogab – Ensino e
Saúde
|
Não era o meu caso. Eu já havia deixado de praticar jiu jitsu
há algum tempo, justamente por esta recomendação, e, como referi, na maioria
dos casos é complicado dizer o porquê da suba da pressão. Aumento de hormônios corticoides
também podem auxiliar no incremento da Pressão Intraocular (PI), como mostram
alguns estudos (em breve postarei artigos relacionados ao tema), o que talvez
fosse meu caso. A questão é que a pressão estava aumentando e tentamos controlá-la
com novos colírios. Caso a resposta não fosse positiva – ou seja, diminuição da
PI – a solução seria a que, naquele momento, foi – cirurgia.
Desta vez
seria diferente da primeira e eu ainda lembro delas.
Próxima
postagem, relatarei o que se seguiu.
Obrigada
novamente a todos que vêm acompanhando minha história!
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Começam as Mudanças
Meus passos V – Começam as mudanças
“A dor pode nos fazer lembrar que estamos vivos, mas o amor nos faz
lembrar por quê” – Trystan Owaln Hughes
Primeiramente,
me desculpem pela demora em escrever este post, minha visão nem sempre coopera
com o tempo dos meus pensamentos.
Bem, contava
eu que uma situação em particular, no meu emprego de advogada júnior em um
escritório de Porto Alegre, havia mostrado que eu realmente não podia agir
de maneira como uma pessoa de visão estável.
Eu trabalhava
oito horas ao dia, com intervalo de 1 hora e meia para almoço, em um escritório
muito bonito, amplo e conhecido. Foi meu primeiro emprego, excetuando os
estágios, depois da minha formatura em Direito. Eu tinha um bom salário para
quem havia a recém saído da universidade e fui chamada bem rápido para a
entrevista. Confesso que, na sala em que eu estava, não era a mais
comunicativa, ficava mais “na minha” e não socializava tanto quanto a maioria
das colegas. Não costumo compartilhar minha vida pessoal com muitas pessoas – a
primeira vez que faço isso é agora, justamente em um blog que qualquer pessoa
pode ler, vejam a ironia das coisas.
Depois de
alguns meses de trabalho, na verdade quase um ano, em um dia comum, fui na
agência bancária que ficava no térreo do prédio, retirar meu salário. Estava eu
sentada aguardando meu número ser chamado, porém, quando olhei para o placar
onde mostrava os números – daqueles placares pretos com grandes letras e
números vermelhos – só enxerguei algo embaçado, com algumas luzes no meio, mas
não conseguia distinguir o que era. Mexi no olho, nada. Virei a cabeça para os
lados e as pessoas também estavam embaçadas. Naquele momento, fiquei assustada.
Peguei meu
celular, na época com teclas, o que facilitou para eu discar sem precisar da
ajuda das outras pessoas, e telefonei para uma das minhas colegas do
escritório, pedindo que ela fosse até o banco e me ajudasse, pois estava com
algum problema na visão.
Ela desceu e
resolvemos chamar um táxi, minha mãe estava em casa e era para lá que eu
voltaria naquele dia.
Fomos ao
médico, meu antigo oftalmologista, no mesmo dia.
Ele fez
alguns exames, mediu a pressão, verificou o fundo do olho (este exame observa o
estado da retina, a camada mais interna do olho), e disse que provavelmente eu
estava com fadiga no nervo óptico, e que, se fosse isso realmente, a sensação
iria passar em 3 a 5 dias. Complementou que, mesmo assim, achava que eu deveria
consultar com um colega, em São Paulo, especialista em glaucoma, o Dr. Imamura,
pois ele teria melhores meios para saber se havia alguma lesão mais grave ou se
era realmente fadiga.
Então,
decidimos ir para São Paulo.
Até o
momento, eu não estava preocupada.a visão embaçada havia passado e parecia que
realmente era apenas uma fadiga ocular. Falei com o pessoal responsável do
escritório, que ficaria cerca de uma semana fora, e fomos.
No médico,
fiz diversos exames, alguns já velhos conhecidos, como medida de pressão, exame
de fundo de olho, campimetria computadorizada (aquela que eu detesto, e descrevi neste
post) e mais alguns que eu nunca havia feito, inclusive de acuidade visual.
Sobre estes exames falarei futuramente.
Conversei com
o médico e ele me explicou melhor as coisas, e ali começava a “cair a ficha” do
que eu tinha e do que viria.
Como o Dr.
Araújo, meu oftalmologista desde que eu era criança havia dito, tive uma fadiga
ocular, por esforço contínuo, que, nesta ocasião, não levaram à lesão do nervo
óptico, mas que, se repetido o esforço, meu nervo seria ainda mais prejudicado
e eu poderia perder áreas da visão. Como já disse algumas vezes, meu nervo
óptico possui lesões devido ao glaucoma, e não posso me dar ao luxo de arriscar
mais.
Oito horas de
trabalho por dia são insuportáveis para meus olhos, eu poderia suportar, no
máximo, 4 horas ao dia, e sem grandes esforços. E nem sempre todos os dias, devido ao cansaço.
Descobri também
que minha visão, em algumas situações, ficava melhor sem óculos do que com. Isso
devia-se ao fato de que meus olhos enxergam de maneira diferente, como
expliquei na postagem passada, onde o esquerdo possui mais campo porém
qualidade pior, e o direito possui uma melhor acuidade mas campo visual menor.
Para enxergar, por exemplo, letras pequenas e próximas, meus olhos fazem um
ajuste que, com óculos, fica prejudicado. Meus olhos deram um jeito de focar de uma maneira que, com os óculos, este foco fica prejudicado.
Aprendi que a
partir deste momento, meus hábitos teriam que mudar. Eu teria que descansar a
visão em períodos de tempo durante leituras ou qualquer esforço visual – vejam o
que isto significa para quem formou-se em Direito, onde a leitura é
imprescindível.
Senti que não
poderia mais trabalhar como vinha fazendo, e que talvez não pudesse seguir no
mesmo local de trabalho.
Recebi
proposta de trabalho de outro escritório, este menor, mas onde eu trabalharia
menos tempo por dia, e parecia ser mais tranquilo. Era o que eu precisava no
momento.
Tomei algumas
outras decisões, que mudaram bastante o que eu estava fazendo. Voltei para a
Faculdade de Biologia, que eu havia iniciado junto com o Direito e abandonado
dois anos depois. Mas isto eu conto no
próximo post, pois também será longo.
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
O "Stand by" da visão
Meus passos IV - O "Stand by" da visão
Terminei a postagem passada falando sobre o não
reconhecimento das pessoas.
Sempre tive
dificuldade nisso, porém, durante a faculdade de Direito – no último ano, isso piorou.
Eu seguidamente confundia as pessoas, algumas até ficavam indignadas – e com
razão, eu as trocava com pessoas totalmente diferentes. Quando alguma amiga
então, trocava a cor do cabelo, me confundia muito.
Porém, quando
as pessoas estavam paradas, eu as distinguo bem. Por quê?
Bem, além da
perda periférica considerável devido ao glaucoma, este também prejudicou
bastante a acuidade visual, ou seja, a qualidade da minha visão, e gerou um
pouco de astigmatismo. O astigmatismo, por si só, é reversível com o uso de
óculos - e de vez em quando eu uso – mas,
no post
anterior expliquei que no olho direito e no esquerdo, meu tipo de visão é
diferente, e que os dois trabalham juntos para que eu tenha uma visão
relativamente razoável. Neste “trabalham juntos” é que entra o que eu chamo de “stand
by” da minha visão, ou seja, eu demoro para focalizar uma imagem, como uma
câmera com foco automático.
![]() |
Figura de uma imagem desfocada e logo após, com foco Fonte: Blog
aberto até de madrugada
A imagem da esquerda mostra como muitas pessoas – inclusive eu
– com glaucoma enxergam quando visualizam algo rapidamente, e na direita, após
alguns segundos fixando a imagem (provavelmente não perfeitamente como você
leitor, esteja vendo, mas pensemos nas proporções). Existe um tempo que
demoramos para fixar a imagem, para focalizá-la da maneira ideal para cada
caso, e este é o “stand by” que me refiro. Óculos não conserta isso no meu
caso. Deixa um pouco mais nítido do que se eu não usar, mas como existe este stand by, na maioria das vezes até
atrapalha, razão pela qual, uso óculos somente em ambientes “parados”, como
para assistir televisão.
Sim, na
televisão há movimentos dos personagens, objetos, etc., porém, aí entra outra
diferença: na televisão, as imagens são em 2 dimensões (depois falarei do
efeito 3D no meu caso), e isso facilita muito.
Devido às
lesões das células da retina, como explicado em posts
iniciais, chamadas de cones e bastonetes principalmente, a noção de
profundidade também foi afetada. Assim, além do stand by, há uma dificuldade na distinção da profundidade e distância
de objetos – um somatório de coisas!!
Essa perda de
profundidade faz com que eu não tenha uma noção de tamanhos de buracos, por
exemplo, ou quando vou descer escadas, a não ser que elas tenham marcações
amarelas, que facilitam bastante.
Todos esses
fatores foram aumentando com a idade, dificultando a minha visualização em
diversos setores e, obviamente, prejudicando minha qualidade de vida de modo
geral. Afinal, quando você não reconhece alguém na rua, normalmente não há
tempo para explicar todos estes fatores, e nem sempre intimidade suficiente. “Então,
acaba resumindo-se a um “desculpe não te reconheci” e, dependendo da pessoa, a
resposta “está precisando de óculos”.
Falando em
idade, deixo claro aqui que meu olho não funciona conforme minha idade real,
mas trata-se de um olho com “mais idade”, um olho semelhante a de uma pessoa
bem mais velha, e assim, as coisas tendem a funcionar ou melhor, deixar de
funcionar, mais rapidamente. E este foi um fator importante para que por volta
de 2007, no último ano da Faculdade de Direito, eu começasse a usar material
ampliado ou que eu pudesse ler no computador.
Naquele ano,
resolvi entrar no site da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande
do Sul), onde eu estudava, e pesquisar sobre os direitos de pessoas com
dificuldade neste quesito. Acabei por descobrir que alunos chamados especiais
tem direito a receber material ampliado, e que a Faculdade deve se adequar às
dificuldades do aluno, o que considero bastante justo e de acordo com o artigo
5º da Consituição Federal, que define a igualdade de direitos; do contrário
seria obviamente impossível.
Descobri
também, o Decreto
Lei que define os direitos de deficientes, incluindo os visuais, e que a
conceitua:
Artigo 5º §1º I letra “c”:
“c) deficiência visual: cegueira, na qual a
acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção
óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor
olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do
campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o; ou a
ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores”
Me
encaixo neste caso e grande parte das pessoas com glaucoma também. Aconselho
que, aqueles que se encaixam, saibam dos seus direitos, pois são vários e
bastante importantes. Em breve farei uma postagem direcionada para isto, pois
se essa doença não é nada agradável, podemos torna-la mais aceitável, afinal,
os direitos estão aí para melhorar nossa qualidade de vida.
Nunca
tive grandes incomodações em relação aos meus direitos dentro da faculdade. Evidente
que um ou outro professor duvidam da sua palavra e eu precisava mostrar meu
laudo médico para comprovar o que tenho. Não sei com qual objetivo ou qual
seria a vantagem de eu pedir uma prova ampliada, mas infelizmente estamos
rodeados de pessoas criativas e que usariam isto, de alguma maneira, em
benefício próprio.
Finalmente,
com alguma dificuldade, consegui terminar a Faculdade de Direito e inicie minha
carreira em um escritório de advocacia, como advogada júnior.
Como eu não
havia, ainda, digerido muito bem a idéia de que a minha visão estava pior,
trabalhei 8 horas por dia, como todos os colegas, somente explicando que nem
sempre reconheceria a todos imediatamente, e relatando meu problema de maneira
superficial.
Até o dia que
meu olho definitivamente deu “erro” e parou, tudo ficou nebuloso e eu não
conseguia ler nada na minha frente, estava tudo embaçado e fora de foco.
Isto sim,
faria com que eu realmente precisasse me ater ao problema e aceitá-lo, fosse o
que fosse. Mas isto eu conto na próxima postagem.
Muito
obrigada pela visita e aguardo vocês em breve!
|
domingo, 18 de setembro de 2016
Meus passos III – A tal da Campimetria Computadorizada
Olá e bem vindos novamente!
Como eu contei no post passado, desde muito cedo faço principalmente
dois exames para verificar o andamento do glaucoma. Um deles, a “curva de
pressão” (uma vez por ano) e a Campimetria (de uns 20 anos para cá,
computadorizada, tenho que repetir cerca de 3 a 4 vezes ao ano). Este serve
para analisar especificamente o campo visual do paciente, através de uma
máquina onde você senta, apoia o queixo, um dos seus olhos é vendado e você
deve olhar para um ponto fixo central no meio de um microambiente, sem desviar
o olho em nenhum momento e clicando em um botão, que fica na sua mão, a cada
sinal de luz, seja ele forte ou fraco, ao redor deste ponto fixo.
Tudo bem, vou
explicar melhor, assim parece fácil e até lembra o que os oftalmologistas e
seus auxiliares gostam de dizer que “parece um videogame”. Não, não parece.
Isso:
E, quando comecei a fazer este exame, pelos anos 90, isso:
São jogos de videogames.
Agora uma imagem do que vemos no exame de campimetria:
Bem, foi a imagem “menos pior” que encontrei, mas prometo
que, quando eu for fazer este exame de novo, farei fotos e quem sabe um vídeo
de como realmente é. De uma ou outra forma, acho que está longe de parecer um
videogame. Nem um Telejogo, que me perdoem os saudosistas.
Ali na parte
central, onde está um círculo preto, é onde tenho que ficar olhando. Ao redor
deste ponto, piscarão pequenos pontos de luz, em maior ou menor intensidade,
acima, ao lado, embaixo. O olho deve permanecer fixo no meio, pois a cada
mexida, por menor que seja, o computador identificará e caso estes desvios se
repitam 3 vezes, é recomendável fazer o exame novamente.
Cada vez que
uma luz destas pisca, mesmo que seja muito fraco, devo apertar um botão, que
estã na minha mão, em um tipo de pequeno manche. O computadpr repete os pontos
periodicamente, isso faz com que ele saiba se vi realmente o ponto ou se achei
que vi. Cada olho leva cerca de 20 minutos nesta “brincadeira”, e sempre com o
olho fixo. Como já falei e volto a repetir,é bastante cansativo.
Falando em
cansativo, este exame é recomendado que seja feito quando a pessoa está bem
descansada, e acredito que os motivos sejam óbvios – já é algo chato quando
estou bem acordada, se estivesse cansada provavelmente dormiria.
Algumas
vezes, de tanto fixar no ponto,a visão vai ficando escura, e não posso fazer
nada além de piscar os olhos. Mas é um exame necessário para quem tem esta
doença.
Após o seu
término, a máquina imprime o resultado, que, no meu caso, foi este (em meados
deste ano):
A esquerda o olho esquerdo, a direita o olho direito. O
resultado principal é aquele círculo quase totalmente escuro, que representa o
campo visual que a máquina apresenta. O campo visual que enxergo é a parte mais
clara. A parte em preto é o que não detectei. Ou seja, onde perdi o campo
visual. Em uma visão não-glaucômica, o campo ficará quase totalmente branco.
Olhando
assim, significa que meu campo inferior é praticamente cego e minha visão
direita tem um campo muito menor. Porém, através de outros exames, como o
P.A.M. (explicarei em posts posteriores), verificou-se que a visão da esquerda,
apesar de ter um maior campo, tem uma qualidade pior, uma acuidade baixa,
enquanto que o olho direito, apesar de um campo visual menor, possui uma
acuidade melhor. Juntamos os dois e temos a visão dos meus olhos. É pouca, mas
ainda me permite escrever aqui.
Em termos de
campo visual, este tem se mantido; faço este exame desde muito jovem, logo após
a primeira cirurgia, e os resultados não eram tão diferentes. Meu campo era
maior, sim, mas pouca coisa. Infelizmente, para quem já tem pouco, retirar um
mínimo já é muito. E por volta de 2007 eu senti isso, quando fazia faculdade de
Direito na PUCRS. Pela primeira vez tive que pedir uma prova ampliada ao
professor, e finalmente comecei a entender meus direitos e limitações dentro
desta situação, o que nunca poderei reclamar da Universidade, que sempre
forneceu todo o tipo de material que precisei nestes momentos.
Com
dificuldade eu ainda conseguia ler os artigos das leis nos infinitos Vade
Mecums, mas não demorou muito para que eu precisasse comprar uma lupa em
formato de régua, feita para ler livros. Mas isso não era desconfortável, o
chato era não reconhecer as pessoas que passavam por mim, e algumas pensando
que eu não lhes dava “olá” por antipatia...
No próximo
dia eu continuo, esta parte merece uma postagem à parte.
E muito
obrigada novamente à força que muitos tem me dado, está sendo muito importante
para mim e sempre que quiserem tirar dúvidas, me chamem por e-mail (marianasony@gmail.com) ou pelo
facebook, Mariana Coltro.
Até a
próxima!
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Meus passos - II
Olá
Anteontem
resolvi escrever alguns fatores mais técnicos do glaucoma em si, mas confesso
que prefiro escrever sobre mim e o meu caso especificamente. Claro que segurei
explicando fatores mais técnicos quando estes se fizerem necessários, mas hoje
quero seguir com a minha história.
Eu não lembro
muito bem da minha primeira cirurgia, e como nosso cérebro é bem seletivo nesse
setor, lembro apenas de uma parte ruim: logo que acordei. Diferente das
intervenções que viriam depois, esta primeira, devido à gravidade da situação,
foi feita nos dois olhos na mesma cirurgia. Lembro apenas de acordar e ver algo
branco.
Eram as gazes
em cima dos meus olhos, que formavam o curativo.
Havia também
uma pomada, que não permitiam que eu abrisse tanto assim os olhos. Foi uma
sensação chata, mas logo que acordei meus pais falaram comigo e depois disso,
eu não lembro muito de como foi a recuperação. Lembro das mais recentes, que
foram bastante incômodas e aquela sensação de que nunca vai acabar. Mas isso eu
conto mais adiante.
As coisas
boas dessa primeira operação eu lembro melhor, como as visitas em casa, meus
amigos e parentes e dos presentes. Claro que não poderia esquecer dos
presentes, principalmente o que meu pai me deu, um kart vermelho que funcionava
com pedais, todo de metal, rodas de borracha, banco forrado e até luzes. Isso deixou
pra trás um pouco de todo o desconforto.
Mas eu tinha
que voltar ao colégio, e vocês sabem como o colégio é. Como os seus colegas de
colégio são. Principalmente se temos um problema que nós mesmos não sabemos
explicar.
Era o meu
caso, eu tinha um problema de visão que os óculos não resolviam, que não é
visível aos outros mas que eu preciso de mais cuidados do que muitos.
Uma pequena parada: por que o
óculos não resolvem? (dezenas já me perguntaram isso) Bem, o óculos resolve os problemas
com miopia, astigmatismo, hipermetropia,
etc., que são problemas de foco ou ajuste da lente; o glaucoma é um tipo de cegueira, onde a visão perdida, está
perdida, a porção de células da retina ou de células do nervo óptico foram
destruídos ou lesados gravemente. Assim, o óculos não tem como criar uma imagem que simplesmente não é
vista pelo olho e processada pelo
cérebro.
O
que ocorre, em muitos casos, inclusive no meu, é que, juntamente com o
glaucoma, surgem outras complicações, como o astigmatismo, e então, usamos um
óculos para este “defeito”, tornando
a visão mais nítida, mas não a parte do glaucoma, e sim do astigmatismo (ou
miopia, ou outra que tenha correção)
E então que, voltando à escola, eu tinha que sentar na
frente. Eu tinha que ter lugar exclusivo, no meio e na frente, o mais próximo possível do quadro negro.
Por que no
meio? Bem, aqui mais uma parada.
O glaucoma
faz com que você perca, inicialmente, a parte periférica da visão, e ela vai
sendo perdida de fora para dentro, logo, seu campo visual vai se restringindo
ao campo central. Como eu nunca enxerguei com total campo de visão (ou se
enxerguei era muito criança e não lembro), é difícil fazer um comparativo com
pessoas que possuem uma visão perfeita, mas acredito que, perto da maioria, eu
enxergue mais ou menos assim:
Bem, imagine que a paisagem inteira é a visão normal, sem
nenhum problema. A minha visão é a do quadro central, sem os riscos. Como se
pode ver, ela é bastante limitada e numa área central. Se eu quiser enxergar uma
área maior, preciso virar o rosto para o lado ou para a área desejada, como uma
tela lcd de tablet ou câmera fotográfica. Mas não com a mesma resolução e nem
profundidade, pois também há este prejuízo: a qualidade da visão cai e não há
uma profundidade exata de imagem, ou seja, as coisas parecen mais em “2D” (duas
dimensões) do que em “3D” (três dimensões) para mim. Assim, para ver melhor o
quadro negro, mesmo que não na sua totalidade, eu me posicionava em um local
central.
Explicar isso
hoje já parece um pouco confuso, imaginem na primeira e segunda série do ensino
fundamental. Então, eu não explicava. Resumia-se ao “sim porque sim”, o que nem
sempre era aceito pelos coleguinhas e a chateação era quase semanal. Mas eu
sobrevivi, segui sentada nas cadeiras da frente e no meio.
Neste período
de colégio, a pressão dos meus olhos permaneceu relativamente estável, com
visitas regulares ao oftalmologista (a cada 3 meses geralmente), e fazendo
principalmente os exames de campimetria e de “curva de pressão”. Este último
mede a pressão durante um ciclo de 24 horas, a cada 3 horas, para verificar se
ela permanece estável em diferentes horários do dia, começando as 6 da manhã. Era,
e ainda é, um dia de folga.
Medir a
pressão do olho não é nada doloroso, mas no período de medida da noite é
necessário que não haja nenhuma entrada de luz, e que esteja o mais escuro
possível, para que a luz não altere em nada o sono ou alguma atividade fisiológica
que possa interferir na pressão intraocular. Recomendo que não assistam a filmes de terror
caso precisem fazer este exame.
A campimetria
é um exame que analisa o campo visual e deve ser feito na clínica, em um
aparelho semelhante a este:
É um exame extremamente cansativo e que dura cerca de 40
minutos.
Infelizmente,
meus olhos já estão no limite de hoje, e além disso vocês já devem ter mais
coisas a fazer, então, no próximo post (amanhã se tudo correr bem), volto a
contar como funciona este exame e como a minha história vem se desenrolando ao
longo dos anos J
Muito obrigada
a todos pelas sugestões e pela força!
terça-feira, 13 de setembro de 2016
Glaucoma, explique-se
Antes de seguirmos com os “Meus
Passos”, que provavelmente se alongarão por muitos posts, irei explicar de
maneira mais abrangente o Glaucoma em si tentando ser, a pedidos, mais didática
do que o primeiro post. Depois, retorno ao lado egocêntrico deste blog.
No
primeiro post, já explicamos que o nervo óptico sofre uma pressão e que esta
pressão, quando alterada, pode prejudicar o campo visual. Esta desregulação da
pressão é o glaucoma.
Mas
como isso acontece?
Vejamos
esta figura do olho:
Figura 2 Anatomia geral do olho humano, vista lateral Fonte: modificado de Cerpo Oftalmologia
O Humor Aquoso, que fica logo atrás da nossa córnea (parte
transparente frontal do olho) é um líquido que tem a função de nutrir nosso
olho e mantê-lo úmido. Este líquido é recebido em uma quantidade adequada,
porém, ele deve ser drenado, para permitir que mais líquido entre e mantenha o
olho nutrido e limpo. Assim, essa maquinaria de recebimento e drenagem de
líquido deve estar em equilíbrio. É como o funcionamento do esgoto em uma casa:
a água chega mas também deve ser escoada, se o esgoto não funcionar direito,
provavelmente teremos problemas graves.
Mas voltemos
ao olho.
Quando esta
entrada de líquido não consegue ser drenada como deveria, há uma pressão alta
de líquido dentro desta câmara (imagine um balão enchendo de água e nada de
saída), e, consequentemente, as fibras do nervo óptico, que deveriam sofrer uma
pressão normal deste líquido, acabam sendo comprimidas devido a esta pressão
elevada. Esta compressão levará a um bloqueio do fluxo normal causando uma
falta de nutrição às fibras e consequentemente, sua morte, resultando na perda
de visão em maior ou menor grau.
A perda de
visão ocorre justamente porque os sinais que deveriam chegar ao cérebro, não
chegam. Esta pressão alta acabou danificando tanto o nervo quanto células que
produzem as imagens, como os cones e bastonetes, que estão na nossa retina
(camada interna do olho).
Devemos
entender o glaucoma como um processo conjunto, não apenas uma coisa
acontecendo, mas sim, várias ao mesmo tempo: o líquido é produzido normalmente,
porém, não é drenado; assim, a pressão sobe; a pressão subindo, acaba
comprimindo fibras do nervo óptico e células da retina, levando à perda de
setores da visão.
Um exame,
chamado de campimetria computadorizada,
avalia o campo visual do paciente e assim é feito o controle se a perda está
aumentando ou se mantendo estável. Este exame, no meu caso, é feito três vezes
ao ano, leva cerca de 35-40 minutos nos dois olhos e requer uma atenção
constante. É extremamente cansativo e explicarei o procedimento em breve, com
imagens do próprio exame.
Quando a
pressão está acima do normal (geralmente maior do que 20mmHg, ou milímetros de
mercúrio) usam-se colírios que procuram facilitar esta drenagem de humor aquoso
como deve, mas nem sempre este medicamentos conseguem fazer isto, e
intervenções cirúrgicas são necessárias.
Veremos em futuros
posts quais os procedimentos mais comuns e porquê esta drenagem nem sempre
funciona como deveria. Ou as hipóteses para isto.
Abaixo, segue
vídeo que talvez esclareça melhor esta doença, em entrevista ao Dr. Vital
Paulino Costa feita no programa do Jô em junho deste ano.
Bem, novamente obrigada pela força que tenho recebido,
principalmente pelo facebook. E não esqueçam que qualquer dúvida, crítica,
sugestão, mandem um email para: marianasony@gmail.com
E, finalizando: nem sempre postarei todos os dias ou a cada dois dias; é comum
eu estar com a visão cansada e não conseguir digitar por muito tempo.
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Meus Passos - I
Antes de tudo, gostaria de agradecer aos meus amigos e
interessados que vieram falar comigo, comentaram e sugeriram o que eu deveria
escrever aqui. Quero poder ajudar as pessoas que possuem esta doença e aos que
tem interesse, além daqueles que se preocupam comigo.
E a primeira
coisa que sugeriram foi que eu contasse como aconteceu comigo.
A história,
na sua íntegra, é grande e ainda não terminou. Talvez eu precise de algumas
postagens e nem sempre será na ordem exata, pois algumas coisas descobri depois,
mas tentarei contar tudo o que eu for lembrando.
Na verdade,
eu comecei a me preocupar com o glaucoma fazem uns 5 ou 6 anos, quando as
coisas realmente pioraram. Antes disso, eu vivia relativamente normal (e ok,
não vou entrar no mérito do que é normal, digamos que uma das coisas é poder
dirigir) – pegava ônibus (mesmo que alguns eu confundisse, como T8 com T6),
atravessava ruas e essas coisas que praticamente todo mundo faz.
Mas vamos
tentar manter as coisas na ordem cronológica: minha mãe percebeu que tinha
algum problema sério quando eu tinha cerca de 8 anos de idade, e ela me pediu
para lhe alcançar algo em cima da mesa de visibilidade relativamente fácil
(provavelmente um garfo ou colher) e eu fiquei “tateando” para buscar. Fui ao
médico e menos de uma semana depois, estava na mesa de cirurgia. O que
aconteceu foi que, no oftalmologista, ele mediu minha pressão e ela estava
muito acima do recomendado e eu já havia perdido campo visual considerável.
Como não se
percebeu isso antes?
Hoje em dia,
as crianças são submetidas ao “teste do olhinho”, coisa que, quando nasci, em
meados dos anos 80, não existia. Entre outras coisas, este teste verifica se há
uma tendência ao glaucoma, mede pressão, etc. Além disso, o glaucoma é uma
doença silenciosa, começa devagar e não causa dor – não no meu caso – e, quando
é percebida, já houve uma perda grave. E mais, o glaucoma, modo geral, se
manifesta em pessoas com mais de 50-60 anos. Eu fui sorteada. E nos dois olhos.
Finalmente, o
glaucoma, por mais que seja um problema de visão, não é visível na grande
maioria dos casos – quando eu falar mais sobre as complicações que viriam,
verão que isto nem sempre é uma coisa boa.
Vou mostrar
uma foto do meu próprio olho:
Você percebe alguma anormalidade?
A princípio
não, porém, em volta da íris (a parte escura, o “colorido” do olho), podemos
ver uma leve “névoa” mais clara, que aliás, fica verde clara quando exposta à
luz negra (isso é bem interessante, tentando levar para o lado divertido). Esta
descoloração foi provocada pelo glaucoma. Provavelmente pela falta de irrigação
do meu nervo a todas as regiões do olho, levando a morte de células naquela
região.
Mas espere:
nem todas as pessoas que tem essa falha é devido ao glaucoma, ou também, nem
todas que tem glaucoma a terão – cada caso é um caso, o glaucoma não tem um
resultado igual em todas as pessoas. O que eu conto neste blog, se restringe ao
meu caso, podendo acontecer de maneira semelhante ou não com outras pessoas.
Voltemos a
cronologia.
A primeira
cirurgia que fiz consistia em um pequeno corte na esclerótica (parte branca do
olho), que permitia que o líquido acumulado, aquele que gera a pressão mais
alta e acaba pressionando o nervo óptico (explicado no post anterior), fosse
drenado, ajudando a baixar esta pressão intraocular (PIO ou IOP do inglês Intra Ocular Pressure). A pressão do meu
olho deveria ficar entre 11-12. Em um olho não glaucomatoso, a pressão pode ser
bem mais alta, além de 20, porém, no meu caso, como meu nervo óptico já é
sensível e danificado em diversos setores, quanto mais perto de 10 o valor
estava, melhor.
Esta primeira
cirurgia funcionou bem, por quase 20 anos. Apesar de eu ter a minha visão
reduzida em quase 50%, a que eu tinha ainda me permitiam enxergar o necessário
para que eu vivesse “normalmente”.
As coisas começaram a mudar mesmo por volta de 2007. Mas
isso eu conto na próxima postagem, e prometo inserir mais fatores técnicos e
científicos sobre a doença.
Não esqueça:
sugestões, dúvidas, críticas, utilize o campo de comentários abaixo ou envie um
e-mail para marianasony@gmail.com
Até mais J
domingo, 11 de setembro de 2016
Bem vindos
Bem vindos ao
blog “De Olho no Glaucoma”!
Me chamo Mariana Coltro e sou
portadora de glaucoma, o que eu tenho chamado de “câncer do olho”, já que sua
tendência é piorar e nem sempre as medidas preventivas que tomamos funcionam.
Como acontece no meu caso.
Fiz este blog com o objetivo de trazer
ao conhecimento de todos o que esta doença é, o que causa e um pouco – talvez
muito – sobre minha vida e como ela mudou conforme a doença foi piorando.
Mas, o que é o glaucoma?
Ao longo das postagens, pretendo explicar
com maiores detalhes o que é, os tipos e o que pode causar esta doença ainda
sem cura, apenas com controle através de medicamentos. Hoje, explicarei de
forma sucinta.
O olho é constituído de diversas
estruturas, como mostrado na figura 1, entre elas, o humor aquoso, logo atrás
da córnea, onde está o cristalino. Este líquido deve ter uma pressão estável,
e, para isto, é produzido em tal quantidade e drenado também, na quantidade
necessária para manter esta pressão. De maneira geral, quando não há equilíbrio
entre esta produção e drenagem, há uma alteração na pressão e então,
comprometimento de células e estruturas que possibilitam a visão.
No glaucoma, o campo visual é afetado,
pois o nervo óptico sofre com esta alteração de pressão e ele leva os sinais
que então serão interpretados pelo cérebro. Como o portador de glaucoma perdeu,
devido a alta da pressão ou de grande alterações desta, muitos destes sinais, o
campo visual fica comprometido devido a perda de células que deveriam
transmitir estes sinais ao cérebro através deste nervo.
Figura 1 Estrutura geral da anatomia
do olho humano, onde Aqueous humor
refere-se ao humor aquoso, na câmara anterior (Anterior chambrer, Lens
ao cristalino e Cornea à córnea Fonte: Vision and Eye Health Vison and Eye Health
A
medida que a pressão se eleva, os axônios (parte da célula nervosa responsável pela condução dos impulsos elétricos) do nervo óptico são comprimidos no
ponto de saída do globo ocular no disco óptico. Essa compressão bloqueia o
fluxo axonal do citoplasma (parte da célula entre sua membrana e seu núcleo, onde ficam localizadas as mitocôndrias, retículos, etc.) dos corpos celulares neuronais da retina nas fibras
do nervo óptico que levam ao cérebro, causando morte das fibras envolvidas por
falta de nutrição.
Esta
perda, infelizmente, é irreversível – a visão já perdida não é recuperada, e,
diferentemente da miopia e astigmatismo, por exemplo, o óculos não tem
eficácia.
A
pressão é medida por um oftalmologista em períodos regulares e para manter esta
pressão, seguidamente são usados colírios. Caso o organismo não responda aos
medicamentos, existem várias técnicas cirúrgicas para tentar controlar. Porém,
tudo dependerá de cada pessoa e de cada organismo.
No
meu caso, houve perda de cerca de 50-55% da visão total (dos dois olhos) e faço
um controle no oftalmologista por vezes exaustivo para que não haja mais perda.
Nas
próximas postagens entrarei em maiores detalhes tanto sobre os tipos de
glaucoma quanto aos tratamentos conhecidos.
Qualquer
dúvida ou se houve falta maior de explicações sobre a doença, fique à vontade
para comentar ou mandar um email para marianasony@gmail.com.
Responderei com maior prazer, nos dias em que minha visão não estiver muito
cansada!!
Obrigada
pela visita
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