quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Cirurgias, o início

Meus passos VII - Cirurgias, o início


O que deixamos para trás e o que nos espera adiante pouco importam se comparados com o que existe dentro de nós” – Ralph Waldo Emerson

          E então que a pressão do meu olho estava subindo novamente, após muito tempo dela estar controlada.
          Tentamos trocar de colírios e não responderam.
          A solução seria a cirurgia, semelhante àquela que eu havia feito quando criança, que contei neste post , porém a diferença é que desta vez teriam que ser duas cirurgias, uma vez em cada olho, devido a ele ser mais velho e para diminuir as chances de algum problema neste órgão tão delicado. Outra diferença é que nesta a anestesia não seria geral, e sim por sedação, para que eu estivesse consciente na hora.
          Um corte seria feito na esclerótica do meu olho (a parte branca, na porção superior) para que houvesse uma melhor drenagem do líquido e então, a baixa da pressão.

          Confesso que, no momento da intervenção cirúrgica, me senti um pouco assim:


          Explico: eu estava sedada, e na maior parte do procedimento, dormi. Porém, na parte final, mesmo sem sentir nenhuma dor, eu conseguia ver os médicos (representados pelos extraterrestres, carinhosamente) vindo em minha direção com o bisturi e tesoura, e o que eles falavam, como “corta este ponto próximo a esta região” (no caso, o ponto estava no meu olho). Foi muito rápido, mas esses momentos parecem durar uma eternidade, direi que foi agonizante em alguns momentos.
          A primeira cirurgia foi no olho esquerdo, no dia 15 de julho de 2012 – data que não esqueço pois é aniversário da Dr Paula (minha oftalmologista), e a segunda, do olho direito, foi em 4 de fevereiro de 2013 – aniversário da minha mãe. Infelizmente eram estas as datas disponíveis, e certamente não as teria escolhido se pudesse.
          Acordei na sala de recuperação e fomos embora, e a parte mais chata começaria, o pós-operatório.
          O problema maior da recuperação é que não se pode fazer praticamente nada. Esforço, zero – sem academia por um bom tempo, cerca de 3 meses. E a visão totalmente distorcida – eu até preferia permanecer com um tapa olho e só enxergar com o olho que não havia sido submetido ao procedimento a enxergar com os dois.
          Além disso, as dores no olho, limpezas (que me deixavam bastante ansiosa, não gosto de mexer muito nos olhos) e colírios a cada 2 horas na fase inicial. As dores diminuíam com Tylenol 750mg, um a cada 4 horas. Porém, quando era muito forte, somente o Tylex aliviava, mas provocava muito sono – o que, em uma recuperação nem era tão ruim. Bem, toda esta chatice permaneceu por quase 2 meses.
          Acho que assisti a todos os filmes novos, antigos e repetidos que existem. Evidentemente que dublados – e até hoje assisto assim, pois legendados teria que escolher olhar para o filme ou as legendas, devido a limitação do campo visual (que expliquei nesta postagem). Engordei uns dois quilos – que perdi depois, felizmente – pois comia bastante, já que as atividades eram bastante restritas.
          E a faculdade?
          Os professores foram extremamente compreensivos e todos – sem exceção – enviavam o material para o meu e-mail ou disponibilizavam no moodle (local de acesso aos alunos).
          Depois de 2 meses, eu ainda não podia me expor muito na rua mas já conseguia ler, e este material foi extremamente importante para que eu pudesse acompanhar o semestre.
          A recuperação das duas cirurgias foi semelhante, e consegui finalmente terminar a faculdade de Biologia – minha segunda faculdade. Porém, neste período, eu já havia perdido um pouco mais do campo visual, como já dito em postagens anteriores, e tive que me adaptar a esta nova realidade.
          Felizmente, hoje em dia existem muitos meios que facilitam a qualidade de vida mesmo de quem estava acostumada com uma certa visão – que já não era muita – e deve adaptar-se a uma pior.
          Falarei mais destas possibilidades em breve, e como elas me ajudaram a cursar o Mestrado, além das pessoas que me ajudaram muito nesta caminhada.