terça-feira, 13 de setembro de 2016

Glaucoma, explique-se

         Antes de seguirmos com os “Meus Passos”, que provavelmente se alongarão por muitos posts, irei explicar de maneira mais abrangente o Glaucoma em si tentando ser, a pedidos, mais didática do que o primeiro post. Depois, retorno ao lado egocêntrico deste blog.
          No primeiro post, já explicamos que o nervo óptico sofre uma pressão e que esta pressão, quando alterada, pode prejudicar o campo visual. Esta desregulação da pressão é o glaucoma.
          Mas como isso acontece?

          Vejamos esta figura do olho:
Figura 2 Anatomia geral do olho humano, vista lateral Fonte: modificado de Cerpo Oftalmologia

          O Humor Aquoso, que fica logo atrás da nossa córnea (parte transparente frontal do olho) é um líquido que tem a função de nutrir nosso olho e mantê-lo úmido. Este líquido é recebido em uma quantidade adequada, porém, ele deve ser drenado, para permitir que mais líquido entre e mantenha o olho nutrido e limpo. Assim, essa maquinaria de recebimento e drenagem de líquido deve estar em equilíbrio. É como o funcionamento do esgoto em uma casa: a água chega mas também deve ser escoada, se o esgoto não funcionar direito, provavelmente teremos problemas graves.
          Mas voltemos ao olho.
          Quando esta entrada de líquido não consegue ser drenada como deveria, há uma pressão alta de líquido dentro desta câmara (imagine um balão enchendo de água e nada de saída), e, consequentemente, as fibras do nervo óptico, que deveriam sofrer uma pressão normal deste líquido, acabam sendo comprimidas devido a esta pressão elevada. Esta compressão levará a um bloqueio do fluxo normal causando uma falta de nutrição às fibras e consequentemente, sua morte, resultando na perda de visão em maior ou menor grau.
          A perda de visão ocorre justamente porque os sinais que deveriam chegar ao cérebro, não chegam. Esta pressão alta acabou danificando tanto o nervo quanto células que produzem as imagens, como os cones e bastonetes, que estão na nossa retina (camada interna do olho).
          Devemos entender o glaucoma como um processo conjunto, não apenas uma coisa acontecendo, mas sim, várias ao mesmo tempo: o líquido é produzido normalmente, porém, não é drenado; assim, a pressão sobe; a pressão subindo, acaba comprimindo fibras do nervo óptico e células da retina, levando à perda de setores da visão.
          Um exame, chamado de campimetria computadorizada, avalia o campo visual do paciente e assim é feito o controle se a perda está aumentando ou se mantendo estável. Este exame, no meu caso, é feito três vezes ao ano, leva cerca de 35-40 minutos nos dois olhos e requer uma atenção constante. É extremamente cansativo e explicarei o procedimento em breve, com imagens do próprio exame.

          Quando a pressão está acima do normal (geralmente maior do que 20mmHg, ou milímetros de mercúrio) usam-se colírios que procuram facilitar esta drenagem de humor aquoso como deve, mas nem sempre este medicamentos conseguem fazer isto, e intervenções cirúrgicas são necessárias.
          Veremos em futuros posts quais os procedimentos mais comuns e porquê esta drenagem nem sempre funciona como deveria. Ou as hipóteses para isto.

          Abaixo, segue vídeo que talvez esclareça melhor esta doença, em entrevista ao Dr. Vital Paulino Costa feita no programa do Jô em junho deste ano.
                       
                                                         

           Bem, novamente obrigada pela força que tenho recebido, principalmente pelo facebook. E não esqueçam que qualquer dúvida, crítica, sugestão, mandem um email para: marianasony@gmail.com E, finalizando: nem sempre postarei todos os dias ou a cada dois dias; é comum eu estar com a visão cansada e não conseguir digitar por muito tempo.         

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