Esses dias (6 de abril), ouvi de duas pessoas diferentes a
mesma frase.
Uma delas eu
nunca havia visto na vida, era motorista, e conversou um pouco comigo; o tempo
suficiente para eu explicar que tenho glaucoma e essa coisa toda, e a outra
pessoa é alguém muito especial e que eu prezo demais. Não o vejo tanto quanto
gostaria mas ele é muito importante e muitas vezes, exemplo para minhas
atitudes. Este sabe bem mais da minha vida do que o primeiro, porém, depois de
algum tempo conversando, eu ouvi “Você tem este problema, já teve que deixar de
fazer tanta coisa, e ainda tem, como mantém essa alegria de viver? Você parece
ser uma pessoa alegre, uma pessoa que leva isso adiante.”.
Apesar de eu
não achar que represento alguém super alegre, acredito que Adaptação às novas
situações seja a maneira que encontrei.
Nem sempre
levei isso na hoa, nem sempre aceitei para mim mesma (acho que esse é o passo
mais difícil), mas, como eu escrevi em outra postagem, chega um momento em que
se perguntar o “porquê, porquê”, não faz mais sentido.
Essa semana
mesmo eu estava conversando com uma amiga que me conhece desde os tempos em que
eu era DJ do Cord (uma balada aqui de Porto Alegre, também já falei em algum
post anterior sobre isso), e que conversávamos todos os dias praticamente.
Porém, fiquei
um tempo afastada.
Me fechei, me
isolei um tempo de muitas pessoas. E acredito que esse tempo foi necessário,
pois eu precisava deste período para que eu mesma aceitasse minhas limitações e
como eu teria que me readaptar depois de várias cirurgias e de ter que deixar
de fazer coisas que eu estava acostumada a fazer. Me acostumar com a idéia, por
exemplo, de que jamais poderei dirigir, mas que existe família, amigos,
caronas, táxis, uber, cabify, etc Me
adaptar e ver que, mesmo enfrentando situações ruins, tenho tempo para fazer
coisas que muitas pessoas gostariam e que não conseguem por falta do tempo
mesmo.
Trago dois
exemplos: academia, que me faz muito bem - e que recomendo a todos, pois não
faz bem apenas ao corpo, diria que, principalmente, faz bem à mente. Graças a
minha disponibilidade, faço academia praticamente todos os dias. Além disso,
consigo estudar bastante. Não tanto, certamente, quanto uma pessoa que possui a
visão 100%, que conseguiria estudar cerca de 5, 6h ou mais por dia, mas cpnsigo
estudar cerca de 2h para concurso. Não é muito, mas muita gente não tem nem
meia hoara para estudar. Ademais, devido a minha deficiência visual, presto
concurso concorrendo nas vagas especiais.
É uma
facilidade? Não acho que seja tanto, afinal a linha de corte segue a mesma, a
prova segue a mesma e como, mesmo tendo tempo, não consigo estudar tanto assim
por dia, acredito que minhas chances serão semelhantes aos outros. Talvez o
número de concorrentes sea menor? Sim, provavelmente, mas o maior concorrente
nisso tudo sou eu mesma.
Escrevendo
rapidamente hoje, lembrei de outra questão que às vezes pode surgir: a culpa.
Nos sentirmos
culpados por, apesar de termos uma grande limitação, usufruirmos de uma “boa
vida”, pode ser normal. Mas disso falarei no próximo post.