domingo, 18 de setembro de 2016

Meus passos III – A tal da Campimetria Computadorizada

          Olá e bem vindos novamente!          
          Como eu contei no post passado, desde muito cedo faço principalmente dois exames para verificar o andamento do glaucoma. Um deles, a “curva de pressão” (uma vez por ano) e a Campimetria (de uns 20 anos para cá, computadorizada, tenho que repetir cerca de 3 a 4 vezes ao ano). Este serve para analisar especificamente o campo visual do paciente, através de uma máquina onde você senta, apoia o queixo, um dos seus olhos é vendado e você deve olhar para um ponto fixo central no meio de um microambiente, sem desviar o olho em nenhum momento e clicando em um botão, que fica na sua mão, a cada sinal de luz, seja ele forte ou fraco, ao redor deste ponto fixo.
          Tudo bem, vou explicar melhor, assim parece fácil e até lembra o que os oftalmologistas e seus auxiliares gostam de dizer que “parece um videogame”. Não, não parece.

          Isso:

          E, quando comecei a fazer este exame, pelos anos 90, isso:

          São jogos de videogames.
          Agora uma imagem do que vemos no exame de campimetria:

          Bem, foi a imagem “menos pior” que encontrei, mas prometo que, quando eu for fazer este exame de novo, farei fotos e quem sabe um vídeo de como realmente é. De uma ou outra forma, acho que está longe de parecer um videogame. Nem um Telejogo, que me perdoem os saudosistas.
          Ali na parte central, onde está um círculo preto, é onde tenho que ficar olhando. Ao redor deste ponto, piscarão pequenos pontos de luz, em maior ou menor intensidade, acima, ao lado, embaixo. O olho deve permanecer fixo no meio, pois a cada mexida, por menor que seja, o computador identificará e caso estes desvios se repitam 3 vezes, é recomendável fazer o exame novamente.
          Cada vez que uma luz destas pisca, mesmo que seja muito fraco, devo apertar um botão, que estã na minha mão, em um tipo de pequeno manche. O computadpr repete os pontos periodicamente, isso faz com que ele saiba se vi realmente o ponto ou se achei que vi. Cada olho leva cerca de 20 minutos nesta “brincadeira”, e sempre com o olho fixo. Como já falei e volto a repetir,é bastante cansativo.
          Falando em cansativo, este exame é recomendado que seja feito quando a pessoa está bem descansada, e acredito que os motivos sejam óbvios – já é algo chato quando estou bem acordada, se estivesse cansada provavelmente dormiria.
          Algumas vezes, de tanto fixar no ponto,a visão vai ficando escura, e não posso fazer nada além de piscar os olhos. Mas é um exame necessário para quem tem esta doença.
          Após o seu término, a máquina imprime o resultado, que, no meu caso, foi este (em meados deste ano):


          A esquerda o olho esquerdo, a direita o olho direito. O resultado principal é aquele círculo quase totalmente escuro, que representa o campo visual que a máquina apresenta. O campo visual que enxergo é a parte mais clara. A parte em preto é o que não detectei. Ou seja, onde perdi o campo visual. Em uma visão não-glaucômica, o campo ficará quase totalmente branco.
          Olhando assim, significa que meu campo inferior é praticamente cego e minha visão direita tem um campo muito menor. Porém, através de outros exames, como o P.A.M. (explicarei em posts posteriores), verificou-se que a visão da esquerda, apesar de ter um maior campo, tem uma qualidade pior, uma acuidade baixa, enquanto que o olho direito, apesar de um campo visual menor, possui uma acuidade melhor. Juntamos os dois e temos a visão dos meus olhos. É pouca, mas ainda me permite escrever aqui.
          Em termos de campo visual, este tem se mantido; faço este exame desde muito jovem, logo após a primeira cirurgia, e os resultados não eram tão diferentes. Meu campo era maior, sim, mas pouca coisa. Infelizmente, para quem já tem pouco, retirar um mínimo já é muito. E por volta de 2007 eu senti isso, quando fazia faculdade de Direito na PUCRS. Pela primeira vez tive que pedir uma prova ampliada ao professor, e finalmente comecei a entender meus direitos e limitações dentro desta situação, o que nunca poderei reclamar da Universidade, que sempre forneceu todo o tipo de material que precisei nestes momentos.
          Com dificuldade eu ainda conseguia ler os artigos das leis nos infinitos Vade Mecums, mas não demorou muito para que eu precisasse comprar uma lupa em formato de régua, feita para ler livros. Mas isso não era desconfortável, o chato era não reconhecer as pessoas que passavam por mim, e algumas pensando que eu não lhes dava “olá” por antipatia...
          No próximo dia eu continuo, esta parte merece uma postagem à parte.
          E muito obrigada novamente à força que muitos tem me dado, está sendo muito importante para mim e sempre que quiserem tirar dúvidas, me chamem por e-mail (marianasony@gmail.com) ou pelo facebook, Mariana Coltro.
          Até a próxima!