Olá e bem vindos novamente!
Como eu contei no post passado, desde muito cedo faço principalmente
dois exames para verificar o andamento do glaucoma. Um deles, a “curva de
pressão” (uma vez por ano) e a Campimetria (de uns 20 anos para cá,
computadorizada, tenho que repetir cerca de 3 a 4 vezes ao ano). Este serve
para analisar especificamente o campo visual do paciente, através de uma
máquina onde você senta, apoia o queixo, um dos seus olhos é vendado e você
deve olhar para um ponto fixo central no meio de um microambiente, sem desviar
o olho em nenhum momento e clicando em um botão, que fica na sua mão, a cada
sinal de luz, seja ele forte ou fraco, ao redor deste ponto fixo.
Tudo bem, vou
explicar melhor, assim parece fácil e até lembra o que os oftalmologistas e
seus auxiliares gostam de dizer que “parece um videogame”. Não, não parece.
Isso:
E, quando comecei a fazer este exame, pelos anos 90, isso:
São jogos de videogames.
Agora uma imagem do que vemos no exame de campimetria:
Bem, foi a imagem “menos pior” que encontrei, mas prometo
que, quando eu for fazer este exame de novo, farei fotos e quem sabe um vídeo
de como realmente é. De uma ou outra forma, acho que está longe de parecer um
videogame. Nem um Telejogo, que me perdoem os saudosistas.
Ali na parte
central, onde está um círculo preto, é onde tenho que ficar olhando. Ao redor
deste ponto, piscarão pequenos pontos de luz, em maior ou menor intensidade,
acima, ao lado, embaixo. O olho deve permanecer fixo no meio, pois a cada
mexida, por menor que seja, o computador identificará e caso estes desvios se
repitam 3 vezes, é recomendável fazer o exame novamente.
Cada vez que
uma luz destas pisca, mesmo que seja muito fraco, devo apertar um botão, que
estã na minha mão, em um tipo de pequeno manche. O computadpr repete os pontos
periodicamente, isso faz com que ele saiba se vi realmente o ponto ou se achei
que vi. Cada olho leva cerca de 20 minutos nesta “brincadeira”, e sempre com o
olho fixo. Como já falei e volto a repetir,é bastante cansativo.
Falando em
cansativo, este exame é recomendado que seja feito quando a pessoa está bem
descansada, e acredito que os motivos sejam óbvios – já é algo chato quando
estou bem acordada, se estivesse cansada provavelmente dormiria.
Algumas
vezes, de tanto fixar no ponto,a visão vai ficando escura, e não posso fazer
nada além de piscar os olhos. Mas é um exame necessário para quem tem esta
doença.
Após o seu
término, a máquina imprime o resultado, que, no meu caso, foi este (em meados
deste ano):
A esquerda o olho esquerdo, a direita o olho direito. O
resultado principal é aquele círculo quase totalmente escuro, que representa o
campo visual que a máquina apresenta. O campo visual que enxergo é a parte mais
clara. A parte em preto é o que não detectei. Ou seja, onde perdi o campo
visual. Em uma visão não-glaucômica, o campo ficará quase totalmente branco.
Olhando
assim, significa que meu campo inferior é praticamente cego e minha visão
direita tem um campo muito menor. Porém, através de outros exames, como o
P.A.M. (explicarei em posts posteriores), verificou-se que a visão da esquerda,
apesar de ter um maior campo, tem uma qualidade pior, uma acuidade baixa,
enquanto que o olho direito, apesar de um campo visual menor, possui uma
acuidade melhor. Juntamos os dois e temos a visão dos meus olhos. É pouca, mas
ainda me permite escrever aqui.
Em termos de
campo visual, este tem se mantido; faço este exame desde muito jovem, logo após
a primeira cirurgia, e os resultados não eram tão diferentes. Meu campo era
maior, sim, mas pouca coisa. Infelizmente, para quem já tem pouco, retirar um
mínimo já é muito. E por volta de 2007 eu senti isso, quando fazia faculdade de
Direito na PUCRS. Pela primeira vez tive que pedir uma prova ampliada ao
professor, e finalmente comecei a entender meus direitos e limitações dentro
desta situação, o que nunca poderei reclamar da Universidade, que sempre
forneceu todo o tipo de material que precisei nestes momentos.
Com
dificuldade eu ainda conseguia ler os artigos das leis nos infinitos Vade
Mecums, mas não demorou muito para que eu precisasse comprar uma lupa em
formato de régua, feita para ler livros. Mas isso não era desconfortável, o
chato era não reconhecer as pessoas que passavam por mim, e algumas pensando
que eu não lhes dava “olá” por antipatia...
No próximo
dia eu continuo, esta parte merece uma postagem à parte.
E muito
obrigada novamente à força que muitos tem me dado, está sendo muito importante
para mim e sempre que quiserem tirar dúvidas, me chamem por e-mail (marianasony@gmail.com) ou pelo
facebook, Mariana Coltro.
Até a
próxima!




