quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Começam as Mudanças

Meus passos V – Começam as mudanças

“A dor pode nos fazer lembrar que estamos vivos, mas o amor nos faz lembrar por quê” – Trystan Owaln Hughes

          Primeiramente, me desculpem pela demora em escrever este post, minha visão nem sempre coopera com o tempo dos meus pensamentos.
          Bem, contava eu que uma situação em particular, no meu emprego de advogada júnior em um escritório de Porto Alegre, havia mostrado que eu realmente não podia agir de maneira como uma pessoa de visão estável.
          Eu trabalhava oito horas ao dia, com intervalo de 1 hora e meia para almoço, em um escritório muito bonito, amplo e conhecido. Foi meu primeiro emprego, excetuando os estágios, depois da minha formatura em Direito. Eu tinha um bom salário para quem havia a recém saído da universidade e fui chamada bem rápido para a entrevista. Confesso que, na sala em que eu estava, não era a mais comunicativa, ficava mais “na minha” e não socializava tanto quanto a maioria das colegas. Não costumo compartilhar minha vida pessoal com muitas pessoas – a primeira vez que faço isso é agora, justamente em um blog que qualquer pessoa pode ler, vejam a ironia das coisas.
          Depois de alguns meses de trabalho, na verdade quase um ano, em um dia comum, fui na agência bancária que ficava no térreo do prédio, retirar meu salário. Estava eu sentada aguardando meu número ser chamado, porém, quando olhei para o placar onde mostrava os números – daqueles placares pretos com grandes letras e números vermelhos – só enxerguei algo embaçado, com algumas luzes no meio, mas não conseguia distinguir o que era. Mexi no olho, nada. Virei a cabeça para os lados e as pessoas também estavam embaçadas. Naquele momento, fiquei assustada.
          Peguei meu celular, na época com teclas, o que facilitou para eu discar sem precisar da ajuda das outras pessoas, e telefonei para uma das minhas colegas do escritório, pedindo que ela fosse até o banco e me ajudasse, pois estava com algum problema na visão.
          Ela desceu e resolvemos chamar um táxi, minha mãe estava em casa e era para lá que eu voltaria naquele dia.
          Fomos ao médico, meu antigo oftalmologista, no mesmo dia.
          Ele fez alguns exames, mediu a pressão, verificou o fundo do olho (este exame observa o estado da retina, a camada mais interna do olho), e disse que provavelmente eu estava com fadiga no nervo óptico, e que, se fosse isso realmente, a sensação iria passar em 3 a 5 dias. Complementou que, mesmo assim, achava que eu deveria consultar com um colega, em São Paulo, especialista em glaucoma, o Dr. Imamura, pois ele teria melhores meios para saber se havia alguma lesão mais grave ou se era realmente fadiga.
          Então, decidimos ir para São Paulo.
          Até o momento, eu não estava preocupada.a visão embaçada havia passado e parecia que realmente era apenas uma fadiga ocular. Falei com o pessoal responsável do escritório, que ficaria cerca de uma semana fora, e fomos.
          No médico, fiz diversos exames, alguns já velhos conhecidos, como medida de pressão, exame de fundo de olho, campimetria computadorizada (aquela que eu detesto, e descrevi neste post) e mais alguns que eu nunca havia feito, inclusive de acuidade visual. Sobre estes exames falarei futuramente.
          Conversei com o médico e ele me explicou melhor as coisas, e ali começava a “cair a ficha” do que eu tinha e do que viria.
          Como o Dr. Araújo, meu oftalmologista desde que eu era criança havia dito, tive uma fadiga ocular, por esforço contínuo, que, nesta ocasião, não levaram à lesão do nervo óptico, mas que, se repetido o esforço, meu nervo seria ainda mais prejudicado e eu poderia perder áreas da visão. Como já disse algumas vezes, meu nervo óptico possui lesões devido ao glaucoma, e não posso me dar ao luxo de arriscar mais.
          Oito horas de trabalho por dia são insuportáveis para meus olhos, eu poderia suportar, no máximo, 4 horas ao dia, e sem grandes esforços. E nem sempre todos os dias, devido ao cansaço. 
          Descobri também que minha visão, em algumas situações, ficava melhor sem óculos do que com. Isso devia-se ao fato de que meus olhos enxergam de maneira diferente, como expliquei na postagem passada, onde o esquerdo possui mais campo porém qualidade pior, e o direito possui uma melhor acuidade mas campo visual menor. Para enxergar, por exemplo, letras pequenas e próximas, meus olhos fazem um ajuste que, com óculos, fica prejudicado. Meus olhos deram um jeito de focar de uma maneira que, com os óculos, este foco fica prejudicado.
          Aprendi que a partir deste momento, meus hábitos teriam que mudar. Eu teria que descansar a visão em períodos de tempo durante leituras ou qualquer esforço visual – vejam o que isto significa para quem formou-se em Direito, onde a leitura é imprescindível.
          Senti que não poderia mais trabalhar como vinha fazendo, e que talvez não pudesse seguir no mesmo local de trabalho.
          Recebi proposta de trabalho de outro escritório, este menor, mas onde eu trabalharia menos tempo por dia, e parecia ser mais tranquilo. Era o que eu precisava no momento.

          Tomei algumas outras decisões, que mudaram bastante o que eu estava fazendo. Voltei para a Faculdade de Biologia, que eu havia iniciado junto com o Direito e abandonado dois anos depois.  Mas isto eu conto no próximo post, pois também será longo.

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