quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A Inexistência do "E Se"

        Quando uma pessoa nasce com um problema, acredito que ela já se adapte ao que ela pode e ao que ela não pode fazer. Não que isso seja melhor ou pior do que o caso daquelas que podiam fazer algo e vão perdendo essa capacidade com o tempo, devido ao problema aumentar, como foi e é o meu caso, por isso, aqui só poderei falar sob este prisma, então, já peço desculpas se, de alguma maneira, parecer que eu “desvalorizo” àqueles que já têm alguma deficiência desde muito jovens.
          Bem, muitas coisas que eu fiz, tive que deixar de fazer. Algumas por opção, como a “carreira” de organizadora de festas e depois DJ. Falarei deste caso, dos tantos “E se” que perambulam pela minha cabeça.

          Evidente que eu não era nenhum Julius Rigotto em termos de organização de festas – quem dera! – organizei umas3 ou 4 festas, uma com temática japonesa, a Psycho Dolls, onde a música era pop e rock japonês, assim como músicas de anime. A festa tinha até um mini sushi bar, com sakerinha de morango, sushi, onigiri e kani. As outras eram focadas no rock indie, chamada Paranóia, e fizemos outra chamada Disturbia, visando o pop e house. Foi bem divertido, principalmente a Psycho Dolls, que fizemos cerca de 10 edições da festa.
          Fui convidada para ser DJ ainda na NEO, pela Sil Mello, e depois fiquei como DJ fixa na festa Hot, que acontecia no Cord, organizada por Matheus Paim.
          Concomitante a toda essa função, eu terminava a faculdade de Direito, retornava à Biologia e começava o Mestrado, como já contei em postagens anteriores.
          Um pouco antes de iniciar o Mestrado, o Cord fechou, e isso fez com que eu escolhesse priorizar o Mestrado, claro, e deixar a “carreira” de DJ para outra hora. Fui convidada para algumas festas depois, mas queria me focar nos estudos.
          E SE eu soubesse que, depois do Mestrado, teria que suspender o Doutorado?
          E aqui eu falarei do título deste post: Nestes casos, em muitos dos casos em que falamos do passado, o E SE não existe.
          Pensamos nele. Eu penso nele. Mas, quando começo a pensar nos tantos “e se” que poderia ter feito meu futuro diferente e talvez mais “proveitoso”, tento tirar esse pensamento da cabeça.
          Situações diversas nos remetem ao “e se eu não tivesse feito aquilo, e se eu tivesse escolhido outra coisa”, etc etc. Mas não adianta. Sabemos disso, sabemos que o passado não pode ser mudado, o que foi feito, foi feito. Resta acreditar que foi por algum motivo que futuramente entenderemos.
          “E Se minha visão fosse normal?”
          Acho que essa foi a pergunta que mais me fiz, mas não a faço mais. Dá praticamente na mesma que perguntar “por quê”?
          É mais fácil perguntar “para que”, isso nos leva a algum lugar, ou nos motiva a.

          O “e se” do passado só serve para que não venhamos a repetir os erros,  mesmo que em muitos casos, não tenham sido feitos com intenção de erro. Dificilmente alguém vai deixar de fazer um Mestrado para seguir na carreira de DJ – a não ser que esta esteja realmente “bombando” em todos os sentidos. O que não era meu caso, eu era uma pessoa conhecida mas longe de ser chamada para discotecar na Inglaterra ou coisa assim; além disso, sempre priorizei a parte mais “científica” de mim, sempre gostei mais.
          A vida tem dessas ironias. A todo momento.
         
          Acredito que o melhor, atualmente seja tentar adiantar situações que podem vir a acontecer e então evitar fazer algo que talvez eu não possa mais. A probabilidade de erro, penso eu, é menor do que apenas fazer sem pensar e depois ter de deixar de fazer. No futuro, este “e se” não vai ser de muita valia.

          E Se você não tivesse lido este texto até aqui, estaria se sentindo diferente?

          Agora não faz diferença, você leu. (a não ser aqueles que leram essa frase antes - tudo depende e tem exceções afinal)