“O que deixamos para trás e o que nos espera adiante pouco importam se
comparados com o que existe dentro de nós” – Ralph Waldo Emerson
E então que a
pressão do meu olho estava subindo novamente, após muito tempo dela estar
controlada.
Tentamos
trocar de colírios e não responderam.
A solução
seria a cirurgia, semelhante àquela que eu havia feito quando criança, que
contei neste
post , porém a diferença é que desta vez teriam que ser duas cirurgias, uma
vez em cada olho, devido a ele ser mais velho e para diminuir as chances de
algum problema neste órgão tão delicado. Outra diferença é que nesta a
anestesia não seria geral, e sim por sedação, para que eu estivesse consciente
na hora.
Um corte
seria feito na esclerótica do meu olho (a parte branca, na porção superior)
para que houvesse uma melhor drenagem do líquido e então, a baixa da pressão.
Confesso que,
no momento da intervenção cirúrgica, me senti um pouco assim:
Explico: eu estava sedada, e na maior parte do procedimento,
dormi. Porém, na parte final, mesmo sem sentir nenhuma dor, eu conseguia ver os
médicos (representados pelos extraterrestres, carinhosamente) vindo em minha
direção com o bisturi e tesoura, e o que eles falavam, como “corta este ponto
próximo a esta região” (no caso, o ponto estava no meu olho). Foi muito rápido,
mas esses momentos parecem durar uma eternidade, direi que foi agonizante em alguns
momentos.
A primeira
cirurgia foi no olho esquerdo, no dia 15 de julho de 2012 – data que não
esqueço pois é aniversário da Dr Paula (minha oftalmologista), e a segunda, do
olho direito, foi em 4 de fevereiro de 2013 – aniversário da minha mãe.
Infelizmente eram estas as datas disponíveis, e certamente não as teria
escolhido se pudesse.
Acordei na
sala de recuperação e fomos embora, e a parte mais chata começaria, o
pós-operatório.
O problema maior
da recuperação é que não se pode fazer praticamente nada. Esforço, zero – sem academia
por um bom tempo, cerca de 3 meses. E a visão totalmente distorcida – eu até
preferia permanecer com um tapa olho e só enxergar com o olho que não havia
sido submetido ao procedimento a enxergar com os dois.
Além disso,
as dores no olho, limpezas (que me deixavam bastante ansiosa, não gosto de
mexer muito nos olhos) e colírios a cada 2 horas na fase inicial. As dores diminuíam
com Tylenol 750mg, um a cada 4 horas. Porém, quando era muito forte, somente o
Tylex aliviava, mas provocava muito sono – o que, em uma recuperação nem era
tão ruim. Bem, toda esta chatice permaneceu por quase 2 meses.
Acho que
assisti a todos os filmes novos, antigos e repetidos que existem. Evidentemente
que dublados – e até hoje assisto assim, pois legendados teria que escolher
olhar para o filme ou as legendas, devido a limitação do campo visual (que
expliquei nesta
postagem). Engordei uns dois quilos – que perdi depois, felizmente – pois comia
bastante, já que as atividades eram bastante restritas.
E a
faculdade?
Os
professores foram extremamente compreensivos e todos – sem exceção – enviavam o
material para o meu e-mail ou disponibilizavam no moodle (local de acesso aos alunos).
Depois de 2
meses, eu ainda não podia me expor muito na rua mas já conseguia ler, e este
material foi extremamente importante para que eu pudesse acompanhar o semestre.
A recuperação
das duas cirurgias foi semelhante, e consegui finalmente terminar a faculdade
de Biologia – minha segunda faculdade. Porém, neste período, eu já havia
perdido um pouco mais do campo visual, como já dito em postagens anteriores, e
tive que me adaptar a esta nova realidade.
Felizmente,
hoje em dia existem muitos meios que facilitam a qualidade de vida mesmo de
quem estava acostumada com uma certa visão – que já não era muita – e deve
adaptar-se a uma pior.
Falarei mais
destas possibilidades em breve, e como elas me ajudaram a cursar o Mestrado,
além das pessoas que me ajudaram muito nesta caminhada.

Nenhum comentário:
Postar um comentário