Meus passos V – Começam as mudanças
“A dor pode nos fazer lembrar que estamos vivos, mas o amor nos faz
lembrar por quê” – Trystan Owaln Hughes
Primeiramente,
me desculpem pela demora em escrever este post, minha visão nem sempre coopera
com o tempo dos meus pensamentos.
Bem, contava
eu que uma situação em particular, no meu emprego de advogada júnior em um
escritório de Porto Alegre, havia mostrado que eu realmente não podia agir
de maneira como uma pessoa de visão estável.
Eu trabalhava
oito horas ao dia, com intervalo de 1 hora e meia para almoço, em um escritório
muito bonito, amplo e conhecido. Foi meu primeiro emprego, excetuando os
estágios, depois da minha formatura em Direito. Eu tinha um bom salário para
quem havia a recém saído da universidade e fui chamada bem rápido para a
entrevista. Confesso que, na sala em que eu estava, não era a mais
comunicativa, ficava mais “na minha” e não socializava tanto quanto a maioria
das colegas. Não costumo compartilhar minha vida pessoal com muitas pessoas – a
primeira vez que faço isso é agora, justamente em um blog que qualquer pessoa
pode ler, vejam a ironia das coisas.
Depois de
alguns meses de trabalho, na verdade quase um ano, em um dia comum, fui na
agência bancária que ficava no térreo do prédio, retirar meu salário. Estava eu
sentada aguardando meu número ser chamado, porém, quando olhei para o placar
onde mostrava os números – daqueles placares pretos com grandes letras e
números vermelhos – só enxerguei algo embaçado, com algumas luzes no meio, mas
não conseguia distinguir o que era. Mexi no olho, nada. Virei a cabeça para os
lados e as pessoas também estavam embaçadas. Naquele momento, fiquei assustada.
Peguei meu
celular, na época com teclas, o que facilitou para eu discar sem precisar da
ajuda das outras pessoas, e telefonei para uma das minhas colegas do
escritório, pedindo que ela fosse até o banco e me ajudasse, pois estava com
algum problema na visão.
Ela desceu e
resolvemos chamar um táxi, minha mãe estava em casa e era para lá que eu
voltaria naquele dia.
Fomos ao
médico, meu antigo oftalmologista, no mesmo dia.
Ele fez
alguns exames, mediu a pressão, verificou o fundo do olho (este exame observa o
estado da retina, a camada mais interna do olho), e disse que provavelmente eu
estava com fadiga no nervo óptico, e que, se fosse isso realmente, a sensação
iria passar em 3 a 5 dias. Complementou que, mesmo assim, achava que eu deveria
consultar com um colega, em São Paulo, especialista em glaucoma, o Dr. Imamura,
pois ele teria melhores meios para saber se havia alguma lesão mais grave ou se
era realmente fadiga.
Então,
decidimos ir para São Paulo.
Até o
momento, eu não estava preocupada.a visão embaçada havia passado e parecia que
realmente era apenas uma fadiga ocular. Falei com o pessoal responsável do
escritório, que ficaria cerca de uma semana fora, e fomos.
No médico,
fiz diversos exames, alguns já velhos conhecidos, como medida de pressão, exame
de fundo de olho, campimetria computadorizada (aquela que eu detesto, e descrevi neste
post) e mais alguns que eu nunca havia feito, inclusive de acuidade visual.
Sobre estes exames falarei futuramente.
Conversei com
o médico e ele me explicou melhor as coisas, e ali começava a “cair a ficha” do
que eu tinha e do que viria.
Como o Dr.
Araújo, meu oftalmologista desde que eu era criança havia dito, tive uma fadiga
ocular, por esforço contínuo, que, nesta ocasião, não levaram à lesão do nervo
óptico, mas que, se repetido o esforço, meu nervo seria ainda mais prejudicado
e eu poderia perder áreas da visão. Como já disse algumas vezes, meu nervo
óptico possui lesões devido ao glaucoma, e não posso me dar ao luxo de arriscar
mais.
Oito horas de
trabalho por dia são insuportáveis para meus olhos, eu poderia suportar, no
máximo, 4 horas ao dia, e sem grandes esforços. E nem sempre todos os dias, devido ao cansaço.
Descobri também
que minha visão, em algumas situações, ficava melhor sem óculos do que com. Isso
devia-se ao fato de que meus olhos enxergam de maneira diferente, como
expliquei na postagem passada, onde o esquerdo possui mais campo porém
qualidade pior, e o direito possui uma melhor acuidade mas campo visual menor.
Para enxergar, por exemplo, letras pequenas e próximas, meus olhos fazem um
ajuste que, com óculos, fica prejudicado. Meus olhos deram um jeito de focar de uma maneira que, com os óculos, este foco fica prejudicado.
Aprendi que a
partir deste momento, meus hábitos teriam que mudar. Eu teria que descansar a
visão em períodos de tempo durante leituras ou qualquer esforço visual – vejam o
que isto significa para quem formou-se em Direito, onde a leitura é
imprescindível.
Senti que não
poderia mais trabalhar como vinha fazendo, e que talvez não pudesse seguir no
mesmo local de trabalho.
Recebi
proposta de trabalho de outro escritório, este menor, mas onde eu trabalharia
menos tempo por dia, e parecia ser mais tranquilo. Era o que eu precisava no
momento.
Tomei algumas
outras decisões, que mudaram bastante o que eu estava fazendo. Voltei para a
Faculdade de Biologia, que eu havia iniciado junto com o Direito e abandonado
dois anos depois. Mas isto eu conto no
próximo post, pois também será longo.