Antes de seguirmos com os “Meus
Passos”, que provavelmente se alongarão por muitos posts, irei explicar de
maneira mais abrangente o Glaucoma em si tentando ser, a pedidos, mais didática
do que o primeiro post. Depois, retorno ao lado egocêntrico deste blog.
No
primeiro post, já explicamos que o nervo óptico sofre uma pressão e que esta
pressão, quando alterada, pode prejudicar o campo visual. Esta desregulação da
pressão é o glaucoma.
Mas
como isso acontece?
Vejamos
esta figura do olho:
Figura 2 Anatomia geral do olho humano, vista lateral Fonte: modificado de Cerpo Oftalmologia
O Humor Aquoso, que fica logo atrás da nossa córnea (parte
transparente frontal do olho) é um líquido que tem a função de nutrir nosso
olho e mantê-lo úmido. Este líquido é recebido em uma quantidade adequada,
porém, ele deve ser drenado, para permitir que mais líquido entre e mantenha o
olho nutrido e limpo. Assim, essa maquinaria de recebimento e drenagem de
líquido deve estar em equilíbrio. É como o funcionamento do esgoto em uma casa:
a água chega mas também deve ser escoada, se o esgoto não funcionar direito,
provavelmente teremos problemas graves.
Mas voltemos
ao olho.
Quando esta
entrada de líquido não consegue ser drenada como deveria, há uma pressão alta
de líquido dentro desta câmara (imagine um balão enchendo de água e nada de
saída), e, consequentemente, as fibras do nervo óptico, que deveriam sofrer uma
pressão normal deste líquido, acabam sendo comprimidas devido a esta pressão
elevada. Esta compressão levará a um bloqueio do fluxo normal causando uma
falta de nutrição às fibras e consequentemente, sua morte, resultando na perda
de visão em maior ou menor grau.
A perda de
visão ocorre justamente porque os sinais que deveriam chegar ao cérebro, não
chegam. Esta pressão alta acabou danificando tanto o nervo quanto células que
produzem as imagens, como os cones e bastonetes, que estão na nossa retina
(camada interna do olho).
Devemos
entender o glaucoma como um processo conjunto, não apenas uma coisa
acontecendo, mas sim, várias ao mesmo tempo: o líquido é produzido normalmente,
porém, não é drenado; assim, a pressão sobe; a pressão subindo, acaba
comprimindo fibras do nervo óptico e células da retina, levando à perda de
setores da visão.
Um exame,
chamado de campimetria computadorizada,
avalia o campo visual do paciente e assim é feito o controle se a perda está
aumentando ou se mantendo estável. Este exame, no meu caso, é feito três vezes
ao ano, leva cerca de 35-40 minutos nos dois olhos e requer uma atenção
constante. É extremamente cansativo e explicarei o procedimento em breve, com
imagens do próprio exame.
Quando a
pressão está acima do normal (geralmente maior do que 20mmHg, ou milímetros de
mercúrio) usam-se colírios que procuram facilitar esta drenagem de humor aquoso
como deve, mas nem sempre este medicamentos conseguem fazer isto, e
intervenções cirúrgicas são necessárias.
Veremos em futuros
posts quais os procedimentos mais comuns e porquê esta drenagem nem sempre
funciona como deveria. Ou as hipóteses para isto.
Abaixo, segue
vídeo que talvez esclareça melhor esta doença, em entrevista ao Dr. Vital
Paulino Costa feita no programa do Jô em junho deste ano.
Bem, novamente obrigada pela força que tenho recebido,
principalmente pelo facebook. E não esqueçam que qualquer dúvida, crítica,
sugestão, mandem um email para: marianasony@gmail.com
E, finalizando: nem sempre postarei todos os dias ou a cada dois dias; é comum
eu estar com a visão cansada e não conseguir digitar por muito tempo.
