Meus passos VI – Mais mudanças
“Você sabe que quanto mais próximo estiver do seu destino, mais se deixará levar para longe dele” – Paul Simon
No início
deste século, terminei a escola e decidi fazer Faculdade de Biologia. Meu objetivo
era estudar Direito Ambiental, proteger principalmente os animais. Eu lia
muitas revistas de ciência no colégio, como National Geographic e a
Superinteressante, que naquela época eu considerava científica. Lembro de
outras revistas, como “Os caminhos da Terra”. Hoje eu ainda leio, porém as
revistas mudaram – segue a National Geographic, mas somei à esta, Scientific
American, Astronomy, Nature, Science, etc., e também o modo: agora eu as leio
no tablet. Com o sucessivo desgaste da minha visão e a perda gradual desta, não
consigo mais lê-las na forma impressa, enquanto que no tablet posso dar zoom.
Bem, retornando ao assunto do início, estas revistas me motivaram muito para o
lado da ciência e, como eu queria proteger o que tínhamos na natureza, também
resolvi fazer Direito.
Era de se
esperar que eu não conseguisse fazer dois cursos ao mesmo tempo – sei que
algumas pessoas o fazem, mas não me encaixo neste nível superior de humanidade –
e eu acabei decidindo permanecer no Direito, devido às oportunidades que este
poderia oferecer – maiores chances de concursos, mais vagas em empregos e, sem
ser hipócrita, melhores chances de salário mais robustos.
Além disso –
lamentavelmente - dois professores da Biologia não mantinham minha motivação
muito alta, digamos assim.
Como
expliquei em posts anteriores, meus olhos enxergam de maneira complementar, ou
seja, um “ajuda” o outro, focando de maneira única e mantendo a musculatura ao
redor do olho contraída, de maneira que juntos, minha visão torna-se aceitável
em diversas situações. No caso do uso de microscópio, esta situação não encaixava-se
no aceitável. Como muitos sabem, os microscópios possuem duas oculares, e,
quando você gira os botões de foco nas laterais, teoricamente tudo se ajeita.
Não no meu
caso.
O foco nunca é
alcançado, e, quando está próximo de ser bom, a visão é tão forçada que sinto
dores muito fortes, o que me levou mais uma vez ao meu antigo oftalmologista. Ele
disse que eu não conseguiria ter foco em um microscópio, e a explicação dada
foi a que me referi antes. Ele forneceu um atestado, o qual eu entreguei na
Secretaria do curso, e fiquei com cópias para mostrar aos professores, que
deveriam encontrar métodos alternativos para suprir as aulas práticas que
usavam este aparelho.
A grande
maioria aceitou e achamos soluções viáveis – ou conectávamos o microscópio a
uma televisão, o que para mim era a melhor solução, ou eu recebia material com
os desenhos do que deveria estar vendo no microscópio. Dois professores
resolveram acumular a parte prática na prova teórica, o que não teria problema algum,
caso eu, mesmo presente nas aulas práticas (o que, no meu caso não era necessário
obviamente), não precisasse ouvir algumas “brincadeirinhas”, que no fundo você
sente que não são de todo somente brincadeirinhas, como por exemplo: “A Mariana
vem com este atestado só para poder matar aula prática desta cadeira”, entre
outras. Pena que este tipo de fala não foi somente uma ou duas vezes. A mais
motivadora foi “Mariana tu não tens condições de te formares em Biologia se não
puderes utilizar um microscópio”.
Vejamos, eu
era bem mais nova, estava cansada de fazer duas faculdades e em uma delas,
apesar de ter o lado motivador, existiam estas pessoas que, naquele tempo,
acabaram influenciando para que eu optasse pelo Direito. E, complementando, eu
não sabia muito sobre meus direitos, além de desconhecer muito das leis que
poderiam ter fornecido um maior aporte.
A história do
Direito vocês já conhecem, e sabem que fui para São Paulo quando estava já
formada e trabalhando na área. E também que eu tomaria decisões após aqueles
ocorridos. Sim, eu resolvi retornar à Biologia.
Antes de
continuar, preciso fazer uma pausa aqui.
Após retornar de São Paulo, voltei ao Dr. Araújo, meu primeiro oftalmologista,
que achou melhor uma profissional especializada diretamente em glaucoma
cuidasse de mim, pois estava em um patamar delicado e seria preferível que ela
abordasse meu caso. A partir deste momento, a excelente Drª Paula Gross, médica
oftalmologista especialista e mestre em glaucoma, vêm tratando minha visão da
melhor maneira que é possível.
Ela
me explicou um pouco mais sobre meu problema, sem deixar de me incentivar
sempre e que eu não desistisse do que eu gostaria de fazer, e eu sou muito grata
por isto, mesmo tendo meus momentos nem sempre tão esperançosos.
Enfim.
Depois de ter
cursado aproximadamente um ano e meio, faltavam 2 anos e meio a 3 anos para
concluir a Faculdade de Ciências Biológicas, agora conhecedora dos meus
direitos e, mais importante do que isso, de alguns limites que eu teria.
A maioria das
minhas provas eram ampliadas e preferencialmente em negrito, devido a um
contraste maior, facilitando a leitura. A fonte ideal era Arial de tamanho 14
ou 16, o que ainda permanece quando preciso ler de forma impressa.
As aulas
práticas foram elaboradas da maneira mais adequada e o caminho parecia estar
sendo bem trilhado.
Passado cerca
de um ano do meu retorno à Biologia, com visitas trimestrais ao médico, a pressão
ocular de ambos os olhos voltou a subir.
É difícil dizer
que fatores diretamente afetam a pressão do olho; um conhecido é o esforço
contínuo repetido, na região supra abdominal, próximo ao osso esterno,
localizado entre as costelas (região destacada da figura abaixo). O esforço
contínuo nesta região é chamado tecnicamente de Manobra de Valsalva. Executamos esta manobra, por exemplo, quando
levantamos muito peso com os braços, e esforços que utilizam a região torácica.
![]() |
Fonte: modificado de Sogab – Ensino e
Saúde
|
Não era o meu caso. Eu já havia deixado de praticar jiu jitsu
há algum tempo, justamente por esta recomendação, e, como referi, na maioria
dos casos é complicado dizer o porquê da suba da pressão. Aumento de hormônios corticoides
também podem auxiliar no incremento da Pressão Intraocular (PI), como mostram
alguns estudos (em breve postarei artigos relacionados ao tema), o que talvez
fosse meu caso. A questão é que a pressão estava aumentando e tentamos controlá-la
com novos colírios. Caso a resposta não fosse positiva – ou seja, diminuição da
PI – a solução seria a que, naquele momento, foi – cirurgia.
Desta vez
seria diferente da primeira e eu ainda lembro delas.
Próxima
postagem, relatarei o que se seguiu.
Obrigada
novamente a todos que vêm acompanhando minha história!

Nenhum comentário:
Postar um comentário