terça-feira, 15 de outubro de 2019

Teoria dos Círculos


Entende-se que todos temos problemas de maior ou menor amplitude, e que somente nós mesmos sabemos a significância desses problemas, sejam eles envolvendo família, estresses, recursos financeiros, empregos, profissão, etc. Chamarei a esta gama de problemas de Círculo Maior (CM), por estar presente na vida da grande maioria das pessoas (e depois explico o porquê de não estar em todas). Este círculo está presente tanto na vida das pessoas sem deficiência (PSD) quanto na vida das pessoas com deficiência (PCD) e aqueles com doença grave, como cânceres, lúpus, esclerose múltipla entre outras degenerativas e incuráveis, a este último grupo chamarei de PDG (Pessoas com Doenças Graves).
 Porém, as PCDs e PDGs possuem outro círculo: o que chamarei de Círculo Menor (Cm), não por achar que ele seja realmente menor, mas sim por pertencer à uma minoria. Neste círculo estão “apenas” os problemas enfrentados por pessoas com deficiência ou doenças graves, e são extremamente particulares, ou seja, praticamente, cada um tem o seu “pequeno círculo”, sendo infinitamente variados nos seus conteúdos. Assim, apenas o seu portador pode falar sobre o seu, a priori. No meu CM, por exemplo, temos o glaucoma, mas dentre os problemas causados por ele, poderia elencar a fotofobia, devido ao implante que tenho no olho esquerdo e que me atrapalha muito em dias de Sol e quando vou a locais muito iluminados, como shoppings, e, para isso, preciso usar um óculos protetor sempre que vou sair de casa, a não ser, obviamente, à noite e em dias nublados (o que varia muito) – vidros escurecidos facilitam muito para mim, mas infelizmente a “moda” diz que é bonito usar vídeos transparentes nos locais. Bem, seguindo o meu Cm: não consigo atravessar ruas sozinha, pois perdi a noção de profundidade e nem sempre sei se o carro está perto ou longe, o que torna bem perigoso; a necessidade de textos ampliados e com contraste alto; e bem, poderia fazer uma lista de cerca de 20 itens somente listando o meu círculo menor, e acredito que pessoas como eu tenham listas de tamanhos semelhantes, ou até maiores; e alguns nem a conseguiriam descrever, como em casos de deficiência graves, como as mentais, em que seus círculos menores são transferidos para seus responsáveis – e é neste, e acredito que somente neste caso acontece esta transferência. Nos casos de PCDs e PDGs, carregam e soma-se tanto o círculo maior quanto o círculo menor, gerando, nesta adição, outro nível de estresse, assim:

PSD: CM
PCD e PDG: CM + Cm = CMm à estresse acumulado

Expondo esta minha humilde teoria, espero que as PSD entendam que sim, todos temos problemas, mas somente PCDs e PDGs possuem, além dos problemas habituais, o círculo menor, que não apenas existe por si só, mas soma-se aos problemas do CM.
Então, afirmo que é errado quando PCDs e PDGs escutam alguns dizeres como “Todos temos problemas, os problemas de vocês são equivalentes aos nossos”. Não, não os são. Os nossos são somatórios.
Vejamos, além do aspecto psicológico/fisiológico: não haveria razão de termos tantas leis de acessibilidade assessorando PCDs e PDGs caso nossos problemas fossem encaixáveis aos problemas habituais, caso nossos problemas fossem apenas os do Círculo Maior.

Deixo claro que este é apenas um início, seria mais uma hipótese, podem chamar assim, mas acredito que já seja uma teoria inicial.




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