Entende-se
que todos temos problemas de maior ou menor amplitude, e que somente nós mesmos
sabemos a significância desses problemas, sejam eles envolvendo família, estresses,
recursos financeiros, empregos, profissão, etc. Chamarei a esta gama de
problemas de Círculo Maior (CM), por estar presente na vida da grande maioria
das pessoas (e depois explico o porquê de não estar em todas). Este círculo
está presente tanto na vida das pessoas sem deficiência (PSD) quanto na vida
das pessoas com deficiência (PCD) e aqueles com doença grave, como cânceres,
lúpus, esclerose múltipla entre outras degenerativas e incuráveis, a este
último grupo chamarei de PDG (Pessoas com Doenças Graves).
Porém, as PCDs e PDGs possuem outro círculo: o
que chamarei de Círculo Menor (Cm), não por achar que ele seja realmente menor,
mas sim por pertencer à uma minoria. Neste círculo estão “apenas” os problemas
enfrentados por pessoas com deficiência ou doenças graves, e são extremamente
particulares, ou seja, praticamente, cada um tem o seu “pequeno círculo”, sendo
infinitamente variados nos seus conteúdos. Assim, apenas o seu portador pode falar
sobre o seu, a priori. No meu CM, por exemplo, temos o glaucoma, mas dentre
os problemas causados por ele, poderia elencar a fotofobia, devido ao implante
que tenho no olho esquerdo e que me atrapalha muito em dias de Sol e quando vou
a locais muito iluminados, como shoppings, e, para isso, preciso usar um óculos
protetor sempre que vou sair de casa, a não ser, obviamente, à noite e
em dias nublados (o que varia muito) – vidros escurecidos facilitam muito para
mim, mas infelizmente a “moda” diz que é bonito usar vídeos transparentes nos
locais. Bem, seguindo o meu Cm: não consigo atravessar ruas sozinha, pois perdi
a noção de profundidade e nem sempre sei se o carro está perto ou longe, o que
torna bem perigoso; a necessidade de textos ampliados e com contraste alto; e
bem, poderia fazer uma lista de cerca de 20 itens somente listando o meu
círculo menor, e acredito que pessoas como eu tenham listas de tamanhos
semelhantes, ou até maiores; e alguns nem a conseguiriam descrever, como em
casos de deficiência graves, como as mentais, em que seus círculos menores são transferidos
para seus responsáveis – e é neste, e acredito que somente neste caso acontece
esta transferência. Nos casos de PCDs e PDGs, carregam e soma-se tanto o
círculo maior quanto o círculo menor, gerando, nesta adição, outro nível de
estresse, assim:
PSD:
CM
PCD e
PDG: CM + Cm = CMm à
estresse acumulado
Expondo
esta minha humilde teoria, espero que as PSD entendam que sim, todos temos
problemas, mas somente PCDs e PDGs possuem, além dos problemas habituais,
o círculo menor, que não apenas existe por si só, mas soma-se aos
problemas do CM.
Então,
afirmo que é errado quando PCDs e PDGs escutam alguns dizeres como “Todos temos
problemas, os problemas de vocês são equivalentes aos nossos”. Não, não os são.
Os nossos são somatórios.
Vejamos,
além do aspecto psicológico/fisiológico: não haveria razão de termos tantas
leis de acessibilidade assessorando PCDs e PDGs caso nossos problemas fossem
encaixáveis aos problemas habituais, caso nossos problemas fossem apenas
os do Círculo Maior.
Deixo
claro que este é apenas um início, seria mais uma hipótese, podem chamar assim,
mas acredito que já seja uma teoria inicial.
