sábado, 18 de novembro de 2017

Ser e Ter

O Ser e o Ter

Creio que existam coisas que só pensamos ou só damos importância quando passamos por elas. Por mais que alguém diga "eu sei pelo que você passa", e que isso seja um sinal de solidariedade, essa pessoa não sabe, no sentido real da palavra. Mesmo que eu tenha o mesmo problema que outros tem, tanto eu não sei o que os outros sentem quanto eles não sabem o que eu sinto.
Isso não impede, de modo algum, que as pessoas se ajudem, que empatizem com o que passa o outro, que tentem sim, saber o que ele passa. Que imaginem ao menos. E, no mínimo, entendam.
Eu sei que não passei por muita coisa que poderia ser pior, posso imaginar e respeito quem passa. Mas sei que tive de mudar meu modo de pensar em diversas situações. Tive e tenho que me adaptar à muita coisa - algumas simples para alguns, outras nem tanto. Algumas que sigo sem entender o porquê, por exemplo, a razão de eu não conseguir ver filmes 3D em cinema e sim em telas led (expondo um exemplo bem fútil mesmo).
Porém, algo importante e que, fico feliz em estar mudando, é a importância do Ser e do Ter.
Você já se perguntou se é uma pessoa mais Ser do que Ter ou o que importa é Ter do que Ser?
Você poder fazer esta escolha?
Alguns diriam que é mais fácil Ser do que Ter para aqueles que não podem Ter, pois, do contrário, Teriam. Provavelmente estas pessoas preferem o Ter, querem Ter, e esqueceram um pouco como Ser.
Cito dois exemplos bem conhecidos de duas pessoas que Tinham, mas preferiram Ser: São Francisco de Assis e Sidarta Gautama. Os dois possuíam, Tinham muito. Eram de famílias abonadas, e abandonaram todo o Ter para que pudessem Ser mais, Ser humanos. Pregavam, de maneira semelhante, que a base do sofrimento é o desejo - entenda-se aqui o desejo como ganância, não o desejo de aprender, de ajudar, o desejo de Ser mais engrandece.
Francisco e Gautama são extremos, eu não saberia atingir o Ser que eles atingiram. Acredito que não Tenha o suficiente para "somente" Ser. Gosto das minhas coisas, gosto da minha coleção de National Geographic e dos meus jogos de videogame.
Todavia, aprendi muito quando meu problema de glaucoma aumentou, e quando a visão que Tinha já não Seria mais a mesma. Tive de aprender a Ser mais do que ela me oferecia. E isso abriu um novo leque de aprendizado.
Posso ainda não Ter todas as respostas, e nem tudo o que "preciso" (e quanto mais se tem, parece que mais se "precisa" Ter, na visão de diversas pessoas), mas estou aprendendo a Ser. E está valendo a pena.
Ninguém Será mais por Ter mais.

Ainda falarei deste assunto, conforme meu aprendizado.

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