segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Meus Passos - I

        Antes de tudo, gostaria de agradecer aos meus amigos e interessados que vieram falar comigo, comentaram e sugeriram o que eu deveria escrever aqui. Quero poder ajudar as pessoas que possuem esta doença e aos que tem interesse, além daqueles que se preocupam comigo.
          E a primeira coisa que sugeriram foi que eu contasse como aconteceu comigo.
          A história, na sua íntegra, é grande e ainda não terminou. Talvez eu precise de algumas postagens e nem sempre será na ordem exata, pois algumas coisas descobri depois, mas tentarei contar tudo o que eu for lembrando.
          Na verdade, eu comecei a me preocupar com o glaucoma fazem uns 5 ou 6 anos, quando as coisas realmente pioraram. Antes disso, eu vivia relativamente normal (e ok, não vou entrar no mérito do que é normal, digamos que uma das coisas é poder dirigir) – pegava ônibus (mesmo que alguns eu confundisse, como T8 com T6), atravessava ruas e essas coisas que praticamente todo mundo faz.
          Mas vamos tentar manter as coisas na ordem cronológica: minha mãe percebeu que tinha algum problema sério quando eu tinha cerca de 8 anos de idade, e ela me pediu para lhe alcançar algo em cima da mesa de visibilidade relativamente fácil (provavelmente um garfo ou colher) e eu fiquei “tateando” para buscar. Fui ao médico e menos de uma semana depois, estava na mesa de cirurgia. O que aconteceu foi que, no oftalmologista, ele mediu minha pressão e ela estava muito acima do recomendado e eu já havia perdido campo visual considerável.
          Como não se percebeu isso antes?
          Hoje em dia, as crianças são submetidas ao “teste do olhinho”, coisa que, quando nasci, em meados dos anos 80, não existia. Entre outras coisas, este teste verifica se há uma tendência ao glaucoma, mede pressão, etc. Além disso, o glaucoma é uma doença silenciosa, começa devagar e não causa dor – não no meu caso – e, quando é percebida, já houve uma perda grave. E mais, o glaucoma, modo geral, se manifesta em pessoas com mais de 50-60 anos. Eu fui sorteada. E nos dois olhos.
          Finalmente, o glaucoma, por mais que seja um problema de visão, não é visível na grande maioria dos casos – quando eu falar mais sobre as complicações que viriam, verão que isto nem sempre é uma coisa boa.

          Vou mostrar uma foto do meu próprio olho:


Você percebe alguma anormalidade?
          A princípio não, porém, em volta da íris (a parte escura, o “colorido” do olho), podemos ver uma leve “névoa” mais clara, que aliás, fica verde clara quando exposta à luz negra (isso é bem interessante, tentando levar para o lado divertido). Esta descoloração foi provocada pelo glaucoma. Provavelmente pela falta de irrigação do meu nervo a todas as regiões do olho, levando a morte de células naquela região.
          Mas espere: nem todas as pessoas que tem essa falha é devido ao glaucoma, ou também, nem todas que tem glaucoma a terão – cada caso é um caso, o glaucoma não tem um resultado igual em todas as pessoas. O que eu conto neste blog, se restringe ao meu caso, podendo acontecer de maneira semelhante ou não com outras pessoas.

          Voltemos a cronologia. 
          A primeira cirurgia que fiz consistia em um pequeno corte na esclerótica (parte branca do olho), que permitia que o líquido acumulado, aquele que gera a pressão mais alta e acaba pressionando o nervo óptico (explicado no post anterior), fosse drenado, ajudando a baixar esta pressão intraocular (PIO ou IOP do inglês Intra Ocular Pressure). A pressão do meu olho deveria ficar entre 11-12. Em um olho não glaucomatoso, a pressão pode ser bem mais alta, além de 20, porém, no meu caso, como meu nervo óptico já é sensível e danificado em diversos setores, quanto mais perto de 10 o valor estava, melhor.
          Esta primeira cirurgia funcionou bem, por quase 20 anos. Apesar de eu ter a minha visão reduzida em quase 50%, a que eu tinha ainda me permitiam enxergar o necessário para que eu vivesse “normalmente”.
          As coisas começaram a mudar mesmo por volta de 2007. Mas isso eu conto na próxima postagem, e prometo inserir mais fatores técnicos e científicos sobre a doença.
          Não esqueça: sugestões, dúvidas, críticas, utilize o campo de comentários abaixo ou envie um e-mail para marianasony@gmail.com

          Até mais J


4 comentários:

  1. quero ler a parte de 2007 em diante (porq eu tava por perto).
    desculpe minha tentativa de ser engraçadinho :P

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    1. Vou ficar braba se tu pedir desculpas hahahah
      Então, se eu escrever tudo numa postagem isso vira um livro, vamos por partes padawan, por partes hohoho

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  2. Excelente a forma como você aborda e explica sobre o problema Mariana! Parabéns!
    Continuarei acompanhando tuas postagens!
    Beijinhos! :*

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    1. Muito obrigada!! Postarei sempre que minha visão permitir!! Beijos

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