terça-feira, 22 de junho de 2021

22/06/21

    Acho que, finalmente, depois de mais de dez anos, descobri alguma das razões do porquê existirem pessoas com deficiência como eu, sejam mais ou menos graves.

    Ficamos nos perguntando o porquê de termos alguma doenças, principalmente quando somos jovens e ficamos sabendo ou adquirimos uma doença incurável, como a minha, o glaucoma.

    Não há bem um porquê, não exatamente isso, mas um “para que”.

     Tantas pessoas que possuem todos os seus sentidos, sejam físicos ou neurológicos – ou os dois – funcionando de uma maneira fisiológica, e tantas dessas pessoas que não fazem nem metade daquilo que são capazes, enquanto há tantos deficientes produzindo muito além do que poderia ser sua capacidade, que isso provavelmente seja um exemplo de Deus.

      Quantas vezes as pessoas ficam admiradas com o que consigo fazer com o pouco de visão que tenho? Não sei dizer, apesar de eu achar que faria muito mais se tivesse meus olhos em pleno funcionamento, talvez eu tenha precisado perder essa parcela da visão para conseguir ter outro vislumbre do mundo. Uma visão mais importante do que esta que os olhos podem mostrar.

    As pessoas costumam se superar quando possuem alguma limitação. Não sabemos até quando teremos capacidade e forças de fazer; no meu caso, não sei até quando terei minha visão. Talvez ela permaneça até que eu me vá, mas já tive perdas significativas desde 2010. Desde este ano, já fiz cerca de 5 ou 6 cirurgias. Em julho de 2021 farei mais duas. E farei quantas forem necessárias para manter meus olhos um pouco lúcidos. Por mais que precise ampliar bastante a letra, por mais que precise usar o modo noturno em telas digitais, usarei minha visão para VER, pois são estes olhos que me foram dados. 

    O que não podemos é desistir, mesmo que já não se tenha muitas opções, estamos vivos, e este é um presente de Deus. E, quem sabe, se dermos o exemplo, as pessoas que possuem os seus sentidos em funcionamento "normal", saibam que elas podem fazer muito, muito mais do que imaginam para ajudar os outros e a si mesmas.