terça-feira, 25 de abril de 2017

Adaptações

Adaptações


          Esses dias (6 de abril), ouvi de duas pessoas diferentes a mesma frase.

          Uma delas eu nunca havia visto na vida, era motorista, e conversou um pouco comigo; o tempo suficiente para eu explicar que tenho glaucoma e essa coisa toda, e a outra pessoa é alguém muito especial e que eu prezo demais. Não o vejo tanto quanto gostaria mas ele é muito importante e muitas vezes, exemplo para minhas atitudes. Este sabe bem mais da minha vida do que o primeiro, porém, depois de algum tempo conversando, eu ouvi “Você tem este problema, já teve que deixar de fazer tanta coisa, e ainda tem, como mantém essa alegria de viver? Você parece ser uma pessoa alegre, uma pessoa que leva isso adiante.”.
          Apesar de eu não achar que represento alguém super alegre, acredito que Adaptação às novas situações seja a maneira que encontrei.
          Nem sempre levei isso na hoa, nem sempre aceitei para mim mesma (acho que esse é o passo mais difícil), mas, como eu escrevi em outra postagem, chega um momento em que se perguntar o “porquê, porquê”, não faz mais sentido.
          Essa semana mesmo eu estava conversando com uma amiga que me conhece desde os tempos em que eu era DJ do Cord (uma balada aqui de Porto Alegre, também já falei em algum post anterior sobre isso), e que conversávamos todos os dias praticamente.
          Porém, fiquei um tempo afastada.
          Me fechei, me isolei um tempo de muitas pessoas. E acredito que esse tempo foi necessário, pois eu precisava deste período para que eu mesma aceitasse minhas limitações e como eu teria que me readaptar depois de várias cirurgias e de ter que deixar de fazer coisas que eu estava acostumada a fazer. Me acostumar com a idéia, por exemplo, de que jamais poderei dirigir, mas que existe família, amigos, caronas, táxis, uber, cabify, etc  Me adaptar e ver que, mesmo enfrentando situações ruins, tenho tempo para fazer coisas que muitas pessoas gostariam e que não conseguem por falta do tempo mesmo.
          Trago dois exemplos: academia, que me faz muito bem - e que recomendo a todos, pois não faz bem apenas ao corpo, diria que, principalmente, faz bem à mente. Graças a minha disponibilidade, faço academia praticamente todos os dias. Além disso, consigo estudar bastante. Não tanto, certamente, quanto uma pessoa que possui a visão 100%, que conseguiria estudar cerca de 5, 6h ou mais por dia, mas cpnsigo estudar cerca de 2h para concurso. Não é muito, mas muita gente não tem nem meia hoara para estudar. Ademais, devido a minha deficiência visual, presto concurso concorrendo nas vagas especiais.
          É uma facilidade? Não acho que seja tanto, afinal a linha de corte segue a mesma, a prova segue a mesma e como, mesmo tendo tempo, não consigo estudar tanto assim por dia, acredito que minhas chances serão semelhantes aos outros. Talvez o número de concorrentes sea menor? Sim, provavelmente, mas o maior concorrente nisso tudo sou eu mesma.
         
          Escrevendo rapidamente hoje, lembrei de outra questão que às vezes pode surgir: a culpa.
          Nos sentirmos culpados por, apesar de termos uma grande limitação, usufruirmos de uma “boa vida”, pode ser normal. Mas disso falarei no próximo post.