Quando uma pessoa nasce com um problema, acredito que ela já
se adapte ao que ela pode e ao que ela não pode fazer. Não que isso seja melhor
ou pior do que o caso daquelas que podiam fazer algo e vão perdendo essa
capacidade com o tempo, devido ao problema aumentar, como foi e é o meu caso,
por isso, aqui só poderei falar sob este prisma, então, já peço desculpas se,
de alguma maneira, parecer que eu “desvalorizo” àqueles que já têm alguma
deficiência desde muito jovens.
Bem, muitas
coisas que eu fiz, tive que deixar de fazer. Algumas por opção, como a “carreira”
de organizadora de festas e depois DJ. Falarei deste caso, dos tantos “E se” que perambulam pela minha cabeça.
Evidente que
eu não era nenhum Julius Rigotto em termos de organização de festas – quem dera!
– organizei umas3 ou 4 festas, uma com temática japonesa, a Psycho Dolls, onde
a música era pop e rock japonês, assim como músicas de anime. A festa tinha até
um mini sushi bar, com sakerinha de morango, sushi, onigiri e kani. As outras
eram focadas no rock indie, chamada Paranóia, e fizemos outra chamada
Disturbia, visando o pop e house. Foi bem divertido, principalmente a Psycho
Dolls, que fizemos cerca de 10 edições da festa.
Fui convidada
para ser DJ ainda na NEO, pela Sil Mello, e depois fiquei como DJ fixa na festa
Hot, que acontecia no Cord, organizada por Matheus Paim.
Concomitante
a toda essa função, eu terminava a faculdade de Direito, retornava à Biologia e
começava o Mestrado, como já contei em postagens anteriores.
Um pouco
antes de iniciar o Mestrado, o Cord fechou, e isso fez com que eu escolhesse
priorizar o Mestrado, claro, e deixar a “carreira” de DJ para outra hora. Fui
convidada para algumas festas depois, mas queria me focar nos estudos.
E SE eu
soubesse que, depois do Mestrado, teria que suspender o Doutorado?
E aqui eu
falarei do título deste post: Nestes casos, em muitos dos casos em que falamos
do passado, o E SE não existe.
Pensamos
nele. Eu penso nele. Mas, quando começo a pensar nos tantos “e se” que poderia
ter feito meu futuro diferente e talvez mais “proveitoso”, tento tirar esse
pensamento da cabeça.
Situações
diversas nos remetem ao “e se eu não tivesse feito aquilo, e se eu tivesse
escolhido outra coisa”, etc etc. Mas não adianta. Sabemos disso, sabemos que o
passado não pode ser mudado, o que foi feito, foi feito. Resta acreditar que
foi por algum motivo que futuramente entenderemos.
“E Se minha
visão fosse normal?”
Acho que essa
foi a pergunta que mais me fiz, mas não a faço mais. Dá praticamente na mesma
que perguntar “por quê”?
É mais fácil
perguntar “para que”, isso nos leva a algum lugar, ou nos motiva a.
O “e se” do
passado só serve para que não venhamos a repetir os erros, mesmo que em muitos casos, não tenham sido
feitos com intenção de erro. Dificilmente alguém vai deixar de fazer um
Mestrado para seguir na carreira de DJ – a não ser que esta esteja realmente “bombando”
em todos os sentidos. O que não era meu caso, eu era uma pessoa conhecida mas
longe de ser chamada para discotecar na Inglaterra ou coisa assim; além disso,
sempre priorizei a parte mais “científica” de mim, sempre gostei mais.
A vida tem
dessas ironias. A todo momento.
Acredito que
o melhor, atualmente seja tentar adiantar situações que podem vir a acontecer e
então evitar fazer algo que talvez eu não possa mais. A probabilidade de erro,
penso eu, é menor do que apenas fazer sem pensar e depois ter de deixar de
fazer. No futuro, este “e se” não vai ser de muita valia.
E Se você não
tivesse lido este texto até aqui, estaria se sentindo diferente?
Agora não faz
diferença, você leu. (a não ser aqueles que leram essa frase antes - tudo
depende e tem exceções afinal)