quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O Mestrado

Meus passos VIII – O Mestrado

          Demorei quase um mês para sentar aqui e escrever a continuação das coisas. Talvez seja mais difícil escrever sobre o que está acontecendo do que o que já aconteceu. Ou que a proximidade com o que acontece no presente me “trave” um pouco.
          Continuemos, a vida segue:
          Após a formação em Biologia, minha professora da cadeira de Fisiologia Animal Comparada, Drª Guendalina Turcato, perguntou se eu não tinha interesse em fazer mestrado. Como sempre gostei de estudar e desta área, fiz a prova e passei, no meio do ano de 2013.
          Meu mestrado teve foco na área da Fisiologia, logicamente, onde analisamos o efeito de um herbicida bastante utilizado no Estado e se seu uso implicava em alterações hepáticas e endócrinos de animais que ficam bastante expostos à ele, as rãs touro (Lithobates catesbeianus). O resumo e  o trabalho completo estão neste link: clique aqui.
          Como todos devem imaginar, é necessário ler muito durante o Mestrado, principalmente artigos. E ler artigos impressos não é das melhores tarefas para quem tem uma visão limitada: a letra é bem pequena, alguns são bastante extensos e, para completar, 95% são em inglês e com uso de termos técnicos.
          Porém, para (quase) tudo há um jeito: eu lia todos os artigos no tablet, em formato PDF, onde eu podia ampliá-los e tornar a leitura confortável. Na verdade, é desta maneira que eu leio tudo até hoje, sejam livros, revistas, jornais, pois não consigo mais ler de maneira impressa – a letra está muito pequena para mim e acabo fornçando demais.
          Esta parte estava resolvida, porém, a parte prática parecia mais complexa, já que precisaríamos retirar sangue e o fígado dos animais, para então medir os índices necessários.
          Falei “parecia” complicado pois realmente, se eu tivesse que fazer sozinha, seria impossível – medir  microlitros em uma pipeta exige uma visão que não possuo, além do manuseio em tubos de ensaio, espectrofotômetros e tudo o que exige visão aguçada. Mas, graças à compreensão da minha agora orientadora profª Guendalina, e também dos meus colegas que se dispuseram a trabalhar junto na pesquisa: Artur Navarro, Camila Miguel, Betânia Freitas, Patrícia Rodrigues, Bruna Dutra, Sarah Santos e Luiza Petroli. Eles foram, literalmente, meus olhos no Mestrado, sem eles eu não teria feito quase nada. Serei sempre agradecida.
          Eu sei que na área da pesquisa existe muita competição, e vi muita coisa que, sinceramente, eu achava que no Direito era pior. Soube de casos em que as pesquisas de um terceiro foram prejudicadas propositalmente, para que os resultados fossem alterados, vi pessoas querendo fazer tudo sozinhas, somente para que seus nomes ficassem em maior destaque nos artigos. Senti falta de compreensão de algumas, que chegaram ao ponto de dizer que minha doença era desculpa para não fazer isso ou aquilo na pesquisa. Estes fatores tornaram minha equipe mais especial ainda.
          Essas coisas – e dezenas de outras situações -  me mostraram que não podemos julgar as pessoas pelo curso que elas fazem, pela profissão que exercem. As pessoas são o que são por elas mesmas. Acredito que existam pessoas más. Que tenham nascido com esta índole, ou que durante seu crescimento e aprendizado sejam assim. Sei que muitos dizem que não existem pessoas más. Na minha opinião, existem sim, e são as mais difíceis de mudar, pois a maldade parece fascinar, devido a sua ilusão de poder.
          Bem, voltando ao mestrado.
          Eu finalizei tudo no prazo de dois anos, em meados de 2015. E tive que finalizar, afinal, a pressão do olho novamente voltara a subir e eu teria que fazer outra cirurgia (isso está ficando repetitivo). Desta vez seria implantado algo como uma “sonda” no meu olho, que ajuda na drenagem de maneira mais efetiva.

          Explicarei na próxima postagem, que prometo será em breve.